Luciaadverse's Blog

outubro 25, 2011

Uma introspecção do meu olhar

Nunca escondi a minha preferência em fotografar arquitetura, acredito que minha formação em design de interiores influenciou e direcionou-me para essa área da fotografia.

É difícil citar nomes de fotógrafos como referência, pois a história da fotografia é recheada deles. Existe uma lista imensa de artistas que foram imprescindíveis, revolucionários, precursores de idéias e estilos. Pesquisar a trajetória de cada um deles é indispensável, prazeroso e muito instrutivo. Sou desprovida de preconceito quando o assunto é arte. Ao invés de preocuparmos com críticas, deveríamos tentar entender a subjetividade de cada artista e aprender com eles. É tão interessante ver o estilo e a linha de pensamento de cada um… Além do mais, a arte não é exclusiva de um ou de outro estilo, é democrática. Consumir livros de arte e filosofia virou uma mania. Na minha opinião é difícil construir um projeto de fotografia autoral consistente sem se nutrir dessas fontes de conhecimento.

Na fotografia, pesquiso também aqueles fotógrafos que não tem nada a ver com a área que escolhi e por que teria que ser diferente? Se você também gosta de arte, estude tudo que for relacionado com ela. Todos os movimentos artísticos ocorridos na história, tiveram uma relação com a época vivida e influenciaram não somente a pintura, mas também a fotografia, a escultura, o design, a moda, a arquitetura, enfim todas as produções artísticas.

Tenho uma grande identificação com o trabalho de alguns fotógrafos. O fotógrafo e arquiteto Cristiano Mascaro tem um magnífico trabalho focado em arquitetura. Nesse ano tive o prazer de conhecê-lo pessoalmente e o privilégio de ser sua monitora durante o workshop “Encontro com o Autor: A Cidade, com Cristiano Mascaro” durante o Festival Foto em Pauta Tiradentes.

É um dos fotógrafos mais importantes da urbe e da arquitetura da capital paulista, que documenta sistematicamente há mais de duas décadas. Atuou como repórter fotográfico na revista Veja, entre 1968 e 1972. Recebeu vários prêmios nacionais e internacionais.

Mestre e doutor em estruturas ambientais urbanas, ambos pela Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo, onde dirigiu o Laboratório de Recursos Audiovisuais entre 1974 e 1988. Foi professor de fotojornalismo da Enfoco Escola de Fotografia (1972-1975) e de comunicação visual na Faculdade de Arquitetura e Urbanismo de Santos (1976-1986).

Outro fotógrafo de grande influência para mim é o francês Marcel Gautherot, que viveu e trabalhou no Brasil durante 57 anos. A pedido do arquiteto Oscar Niemeyer, documentou a construção de Brasília. Esse belíssimo trabalho está reunido no livro “Marcel Gautherot Brasília” (tenho e recomendo!), lançado em 2010 pelo Instituto Moreira Salles.

Também percorreu 18 estados brasileiros fotografando, registrando o povo brasileiro, sua arquitetura, suas festas. Sua coleção é um vasto retrato da diversidade cultural do país. Desde 1999, seu acervo composto de mais de 25 mil negativos foi adquirido pelo Instituto Moreira Salles.

No ano passado, esse trabalho documental de Brasília, motivou-me o desejo de documentar a transformação do Estádio Governador Magalhães Pinto (conhecido como Mineirão) para a Copa do Mundo de 2014. Para a minha frustração, a burocracia impediu-me de fazer esse projeto. Encontrei-me com autoridades do Governo e da ADEMG para apresentar meu projeto, colocaram-me empecilhos por se tratar de uma construção pública. Não compreendi os obstáculos, pois na minha opinião, deveria ser o contrário, exatamente por se tratar de um orgão público, deveria ser garantido a uma cidadã e artista mineira, o direito de registrar essa importante obra para a história de Minas Gerais.

Também gostaria de destacar o trabalho da fotógrafa americana Berenice Abbott. Nascida em Springfield, estado de Ohio em 1898, mudou-se em 1921 para Paris, foi assistente do grande fotógrafo Man Ray que lhe ensinou tudo sobre fotografia. Ainda em Paris também conheceu uma de suas maiores influências fotográficas, o fotógrafo francês Eugene Atget que por vinte anos produziu oito mil fotos que registraram a cultura, arquitetura e monumentos da capital Francesa. Inspirada pelo trabalho realizado por Atget, voltou os Estados Unidos da América e fez algo semelhante ao que ele fez em Paris, só que em Nova Iorque. Daí nascia o seu trabalho mais conhecido; o Changing New York, onde ela mostra a cidade velha dando lugar a modernidade dos arranha-céus, vias expressas e pontes de metal que modificavam gradativamente a paisagem urbana.

Berenice também foi uma grande retratista, mas como meu enfoque aqui hoje é falar sobre fotografia de arquitetura quis destacar o seu famoso e importante trabalho documental sobre a cidade de Nova York.

Como disse no início do post, é praticamente impossível relacionar todos os artistas que me servem de inspiração e que auxiliam na minha formação, pois a pesquisa é constante. Por isso, limitei-me citando apenas os fotógrafos de maior influência para mim. Mesmo achando que já prolonguei esse post, não posso deixar de mencionar mais dois fotógrafos que são de grande importância para mim. O primeiro é Thomaz Farkas que no início desse ano dediquei um post à ele aqui.

Quem conhece o meu trabalho, sabe que uma das minhas características mais fortes é o uso do contraste entre as altas e baixas luzes. Também faço muito uso da geometria em minhas imagens e escutando a análise de alguns críticos de arte, percebo que meu trabalho é um pouco surrealista. Talvez essas características que se tornaram o meu perfil, fazem eu me identificar tanto com o trabalho de Farkas.

Por último, deixei aquele que para mim foi um dos maiores mestres (se não o maior) da história da fotografia, André Kertèsz. Fotógrafo também  de origem húngara, iniciou-se na fotografia em 1913 como autodidata.

Serviu brevemente na Primeira Guerra Mundial e se mudou para Paris em 1925, então capital artística do mundo, contra os desejos de sua família. Conviveu com os intelectuais e artistas de Montparnasse, se estabeleceu como fotógrafo, fazendo trabalhos para algumas revistas francesas e alemãs em ascensão nesta época. Ainda em Paris começou a trabalhar no seu projeto Distorções.


Em 1936 mudou-se para Nova Iorque e começou a colaborar com as revistas Vogue e Haper´s Bazaar. Naturalizou-se norte-americano em 1944.

Em 1946, Kertèsz teve o seu trabalho exposto no prestigiado “The art Institute of Chicago”, numa exposição individual. Em 1964, seu trabalho foi reconhecido pelo “Museum of Modern Art” em Nova Iorque, onde foi exposta uma retrospectiva da sua carreira. Esta exposição organizada por John Szarkowski, curador do MoMA, ajudou a restabelecer o seu reconhecimento internacional. John Szarkowski disse uma vez que “mais do que qualquer outro fotógrafo, André Kertész demonstrou a beleza e a estética da câmera pequena.”

A partir de 1963, dedicou-se somente à produção de ensaios pessoais e à exibição e publicação de sua obra. É reconhecido como um dos maiores fotógrafos do mundo.  Seu estilo único influenciou uma geração de fotógrafos na Europa, entre eles Henri Cartier-Bresson, Robert Capa e Brassai.

Seus temas são muito variados, embora ressalte neles a curiosidade visual na hora de encontrar novas perspectivas das coisas mais comuns.

A foto abaixo por muito tempo intrigou-me, seria um reflexo ou um registro através de uma vidraça quebrada? Um certo dia, conversando com um amigo estudioso em fotografia, ele revelou-me a verdadeira história dessa misteriosa fotografia. Por algum motivo, a chapa de vidro que continha essa imagem durante o seu armazenamento ou manuseio quebrou-se. Kertèsz  então resolveu revelar a chapa quebrada e o resultado foi essa foto magnífica.

Saber a verdadeira história dessa fotografia deixou-me ainda mais apaixonada por ela, por isso compartilho com vocês e termino por aqui.

agosto 7, 2010

Sugestões de Livros

Olá pessoal!

Estive ausente do blog por uns dias… Tenho um filho que está fazendo intercâmbio no Canadá e reservei alguns dias para visitá-lo. Sempre quando viajo reservo um tempinho para visitar as principais livrarias. Sou uma consumista confessa por livros. É uma das minhas grandes paixões. Desembarquei há dois dias no Brasil e hoje venho aqui no meu blog dar algumas sugestões para os meus leitores que gostam de livros de fotografia. Na cidade de Vancouver, conheci a Chapters, grande livraria, com boa estrutura, mas não vi grandes novidades na sessão de fotografia em comparação nossas grandes livrarias. Em Calgary, entrei numa livraria da qual não me lembro o nome e infelizmente para minha surpresa não havia sessão específica de livros de fotografia. Quem acompanha meu trabalho, sabe que gosto muito de fotografar gastronomia e a minha referência sempre foi livros importados de grandes chefs, tenho vários na minha biblioteca pessoal. Pois, nesssa livraria em Calgary, encontrei uma coleção maravilhosa da Carla Bardi. A coleção é formada por três livros de receitas com cerca de 500 páginas cada e folhas com acabamento externo em dourado, esses são os títulos: The Golden Book of Chocolate, The Golden Book of Cookies e The Golden Book of Baking. Um capricho!

Abaixo imagens que retirei do site da Amazon:

No final da viagem dei uma rápida passada em Nova York. Foi a primeira vez dos meus filhos na capital americana e os três dias passaram muito rápido, mas deu tempo de irmos à uma livraria. Minha amiga Ester, recentemente em um relatório de viagem no site da Fototech, recomendou a Strandbooks e fiquei curiosíssima para conhecer, mas infelizmente durante nossa ida à Broadway não deu tempo. No último dia fomos na Barnes e pesquisando as sessões de artes e fotografia encontrei muita coisa interessante. Deixarei como sugestão aqui alguns títulos que ainda me lembro:

50 Photographers You Should Know

Author: Peter Stepan

Comentário: Um livro bem interessante com fotos e texto sobre 50 fotografias de grande importância para a história da fotografia.

Berenice Abbott

Autor: Hank O’Neal

Comentário: Uma edição de 2008 com dois livros ilustrados com imagens dessa grande fotógrafa que foi Berenice Abbot. A capa aparentemente parece ser de linho e a qualidade do papel é artística. Além de portraits, cenas cotidianas americanas e fotos de placas, o livro apresenta 149 fotos do trabalho documental que Berenice Abbot fez da cidade de Nova York entre 1930 e 1956, com o objetivo de registrar a mudança dos edifícios da grande metrópole. Permito-me dizer que considero uma edição de colecionador. Magnífico!

Ansel Adams in Color

Comentário: Para ser bem sincera, ainda não conhecia esse livro do Ansel Adams. Tenho o “Ansel Adams: 400 Photographs” e essa edição que conheci na Barnes&Noble e mostro para vocês parece uma versão colorida dele.

Vanity Fair: The Portraits: A Century of Iconic Images

Comentário: Esse livro eu já conhecia, o fotógrafo mineiro David Aguilar, um profissional que respeito muito pelo seu grande conhecimento em fotografia e arte, havia me mostrado certa vez em seu estúdio. Também estava na sessão de fotografia da Barnes&Noble e como é um livro bem interessante achei importante citá-lo aqui. Ilustrado com 300 fotografias de grandes fotógrafos que apareceram nas páginas da Vanity Fair durante todo o século 20.

Hotel Lachapelle

David LaChapelle

Comentário: É uma coletânea dos trabalhos mais conhecidos do fotógrafo David LaChapelle. Ele ficou famoso por transformar suas intervenções digitais em arte. O livro tem uma qualidade de impressão muito boa e vem dentro de uma caixa.

Na sessão de arte, também havia uma seleção fantástica de livros, pena que o tempo foi curto e não deu para explorá-la. Queria deixar como sugestão aqui, um livro que já vi na livraria Mineiriana em Belo Horizonte e que também estava lá na estante da Barnes&Noble.

Gustave Courbet

Comentário: Este livro é um estudo envolvendo biografia, crítica, história da arte e um catálogo de obras construído sobre a exposição do pintor Gustave Courbet (1819-1877) em Nova York no Metropolitan Museum of Art.

O lado ruim dessa história é que dá vontade de comprar todos!

maio 5, 2009

Berenice Abbott

Filed under: Fotografia, Historia da fotografia — Tags: — Lucia Adverse @ 7:13 pm

manraybereniceabbott19213gv

Não posso deixar de mencionar a fotógrafa americana Berenice Abbott que não incluí no post anterior por falta de espaço.  Também foi uma grande expoente da fotografia direta, a “straight photography”.  Nasceu em 1898, em Ohio, e morreu em 1992, em Manson, Maine. Com apenas vinte anos de idade, descobriu a fotografia e se tornou  célebre com sua obra documentária sobre  Nova York. Logo após a depressão americana de 1929, Abbott iniciou seu longo projeto “Changing New York”, um registro fotográfico dos prédios, da população e da paisagem urbana cada vez mais em mutação. Este acabou se tornando seu trabalho mais conhecido e pelo qual ela é hoje considerada um gênio da fotografia.  Foi assistente e aprendiz de Man Ray. Depois, na década de 1950, passou a atuar na área científica, fotografando campos magnéticos e pêndulos, colocando a imagem a serviço da ciência. Abbott foi inventora de algumas tecnologias e aparelhos fotográficos, mas perdeu muito dinheiro com essas invenções que, apesar de geniais, eram pouco comerciais.

night-view-1932-gelatin-silver-print                                                                              Night View, New York.1932
2416475751_5079ae5d2f

seventh-avenue-looking-south-from-35th-street-dec-5-1935
el-at-columbus-avenue-and-broardway-1935

cny09183                                      Murray Hill Hotel; From Park Avenue and 40th Street. November 19 1935

abbottel

                                                                        July 17, 1898 – December 9, 1991

cny0813                                                                          Tempo of the City: I; Fifth Avenue and 44Th Street. May 13, 1938

Fez muito sucesso como retratista e pela forma intimista como fotografava.  Ao final da vida contraiu um efizema, fruto de décadas fumando os habituais e indispensáveis cigarros. Morreu tranqüila num mês de dezembro de 1991, aos 93 anos de idade.

Blog no WordPress.com.