Luciaadverse's Blog

outubro 27, 2011

Roland Barthes

Filed under: Fotografia, Poesias-Pensamentos-Frases-Reflexões — Tags:, — Lucia Adverse @ 4:39 pm

“O que a Fotografia reproduz ao infinito só ocorre uma vez: ela repete mecanicamente o que nunca mais poderá repetir-se existencialmente.”

Roland Barthes, A CÂMARA CLARA

Foto: Lucia Adverse

By iPhone

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outubro 25, 2011

Uma introspecção do meu olhar

Nunca escondi a minha preferência em fotografar arquitetura, acredito que minha formação em design de interiores influenciou e direcionou-me para essa área da fotografia.

É difícil citar nomes de fotógrafos como referência, pois a história da fotografia é recheada deles. Existe uma lista imensa de artistas que foram imprescindíveis, revolucionários, precursores de idéias e estilos. Pesquisar a trajetória de cada um deles é indispensável, prazeroso e muito instrutivo. Sou desprovida de preconceito quando o assunto é arte. Ao invés de preocuparmos com críticas, deveríamos tentar entender a subjetividade de cada artista e aprender com eles. É tão interessante ver o estilo e a linha de pensamento de cada um… Além do mais, a arte não é exclusiva de um ou de outro estilo, é democrática. Consumir livros de arte e filosofia virou uma mania. Na minha opinião é difícil construir um projeto de fotografia autoral consistente sem se nutrir dessas fontes de conhecimento.

Na fotografia, pesquiso também aqueles fotógrafos que não tem nada a ver com a área que escolhi e por que teria que ser diferente? Se você também gosta de arte, estude tudo que for relacionado com ela. Todos os movimentos artísticos ocorridos na história, tiveram uma relação com a época vivida e influenciaram não somente a pintura, mas também a fotografia, a escultura, o design, a moda, a arquitetura, enfim todas as produções artísticas.

Tenho uma grande identificação com o trabalho de alguns fotógrafos. O fotógrafo e arquiteto Cristiano Mascaro tem um magnífico trabalho focado em arquitetura. Nesse ano tive o prazer de conhecê-lo pessoalmente e o privilégio de ser sua monitora durante o workshop “Encontro com o Autor: A Cidade, com Cristiano Mascaro” durante o Festival Foto em Pauta Tiradentes.

É um dos fotógrafos mais importantes da urbe e da arquitetura da capital paulista, que documenta sistematicamente há mais de duas décadas. Atuou como repórter fotográfico na revista Veja, entre 1968 e 1972. Recebeu vários prêmios nacionais e internacionais.

Mestre e doutor em estruturas ambientais urbanas, ambos pela Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo, onde dirigiu o Laboratório de Recursos Audiovisuais entre 1974 e 1988. Foi professor de fotojornalismo da Enfoco Escola de Fotografia (1972-1975) e de comunicação visual na Faculdade de Arquitetura e Urbanismo de Santos (1976-1986).

Outro fotógrafo de grande influência para mim é o francês Marcel Gautherot, que viveu e trabalhou no Brasil durante 57 anos. A pedido do arquiteto Oscar Niemeyer, documentou a construção de Brasília. Esse belíssimo trabalho está reunido no livro “Marcel Gautherot Brasília” (tenho e recomendo!), lançado em 2010 pelo Instituto Moreira Salles.

Também percorreu 18 estados brasileiros fotografando, registrando o povo brasileiro, sua arquitetura, suas festas. Sua coleção é um vasto retrato da diversidade cultural do país. Desde 1999, seu acervo composto de mais de 25 mil negativos foi adquirido pelo Instituto Moreira Salles.

No ano passado, esse trabalho documental de Brasília, motivou-me o desejo de documentar a transformação do Estádio Governador Magalhães Pinto (conhecido como Mineirão) para a Copa do Mundo de 2014. Para a minha frustração, a burocracia impediu-me de fazer esse projeto. Encontrei-me com autoridades do Governo e da ADEMG para apresentar meu projeto, colocaram-me empecilhos por se tratar de uma construção pública. Não compreendi os obstáculos, pois na minha opinião, deveria ser o contrário, exatamente por se tratar de um orgão público, deveria ser garantido a uma cidadã e artista mineira, o direito de registrar essa importante obra para a história de Minas Gerais.

Também gostaria de destacar o trabalho da fotógrafa americana Berenice Abbott. Nascida em Springfield, estado de Ohio em 1898, mudou-se em 1921 para Paris, foi assistente do grande fotógrafo Man Ray que lhe ensinou tudo sobre fotografia. Ainda em Paris também conheceu uma de suas maiores influências fotográficas, o fotógrafo francês Eugene Atget que por vinte anos produziu oito mil fotos que registraram a cultura, arquitetura e monumentos da capital Francesa. Inspirada pelo trabalho realizado por Atget, voltou os Estados Unidos da América e fez algo semelhante ao que ele fez em Paris, só que em Nova Iorque. Daí nascia o seu trabalho mais conhecido; o Changing New York, onde ela mostra a cidade velha dando lugar a modernidade dos arranha-céus, vias expressas e pontes de metal que modificavam gradativamente a paisagem urbana.

Berenice também foi uma grande retratista, mas como meu enfoque aqui hoje é falar sobre fotografia de arquitetura quis destacar o seu famoso e importante trabalho documental sobre a cidade de Nova York.

Como disse no início do post, é praticamente impossível relacionar todos os artistas que me servem de inspiração e que auxiliam na minha formação, pois a pesquisa é constante. Por isso, limitei-me citando apenas os fotógrafos de maior influência para mim. Mesmo achando que já prolonguei esse post, não posso deixar de mencionar mais dois fotógrafos que são de grande importância para mim. O primeiro é Thomaz Farkas que no início desse ano dediquei um post à ele aqui.

Quem conhece o meu trabalho, sabe que uma das minhas características mais fortes é o uso do contraste entre as altas e baixas luzes. Também faço muito uso da geometria em minhas imagens e escutando a análise de alguns críticos de arte, percebo que meu trabalho é um pouco surrealista. Talvez essas características que se tornaram o meu perfil, fazem eu me identificar tanto com o trabalho de Farkas.

Por último, deixei aquele que para mim foi um dos maiores mestres (se não o maior) da história da fotografia, André Kertèsz. Fotógrafo também  de origem húngara, iniciou-se na fotografia em 1913 como autodidata.

Serviu brevemente na Primeira Guerra Mundial e se mudou para Paris em 1925, então capital artística do mundo, contra os desejos de sua família. Conviveu com os intelectuais e artistas de Montparnasse, se estabeleceu como fotógrafo, fazendo trabalhos para algumas revistas francesas e alemãs em ascensão nesta época. Ainda em Paris começou a trabalhar no seu projeto Distorções.


Em 1936 mudou-se para Nova Iorque e começou a colaborar com as revistas Vogue e Haper´s Bazaar. Naturalizou-se norte-americano em 1944.

Em 1946, Kertèsz teve o seu trabalho exposto no prestigiado “The art Institute of Chicago”, numa exposição individual. Em 1964, seu trabalho foi reconhecido pelo “Museum of Modern Art” em Nova Iorque, onde foi exposta uma retrospectiva da sua carreira. Esta exposição organizada por John Szarkowski, curador do MoMA, ajudou a restabelecer o seu reconhecimento internacional. John Szarkowski disse uma vez que “mais do que qualquer outro fotógrafo, André Kertész demonstrou a beleza e a estética da câmera pequena.”

A partir de 1963, dedicou-se somente à produção de ensaios pessoais e à exibição e publicação de sua obra. É reconhecido como um dos maiores fotógrafos do mundo.  Seu estilo único influenciou uma geração de fotógrafos na Europa, entre eles Henri Cartier-Bresson, Robert Capa e Brassai.

Seus temas são muito variados, embora ressalte neles a curiosidade visual na hora de encontrar novas perspectivas das coisas mais comuns.

A foto abaixo por muito tempo intrigou-me, seria um reflexo ou um registro através de uma vidraça quebrada? Um certo dia, conversando com um amigo estudioso em fotografia, ele revelou-me a verdadeira história dessa misteriosa fotografia. Por algum motivo, a chapa de vidro que continha essa imagem durante o seu armazenamento ou manuseio quebrou-se. Kertèsz  então resolveu revelar a chapa quebrada e o resultado foi essa foto magnífica.

Saber a verdadeira história dessa fotografia deixou-me ainda mais apaixonada por ela, por isso compartilho com vocês e termino por aqui.

IMS – Ciclo de palestras

Filed under: Dicas — Tags:, , — Lucia Adverse @ 12:52 pm

outubro 15, 2011

Art Canton 2011

Filed under: Meus trabalhos — Tags:, , , , , — Lucia Adverse @ 6:29 pm

Hoje começa a feira de arte: Art Canton em Guangzhou, China. A vernissage aconteceu ontem sob o comando da montadora Mercedez-Benz. Estarei participando da feira, através da Galeria Ricardo Fernandes juntamente com os artistas Antonio Temporão, Kakati e Leopoldo Martins.

Para essa exposição, foi selecionada pelo Marchand Ricardo Fernandes, a série “Canto” que produzi durante uma viagem que fiz a África do Sul nesse ano. Uma breve passagem pela África e o contato tão próximo com a magnífica fauna local, é suficiente para percebermos a grande importância da natureza, o relicário dos seres vivos. Aprende-se muito com o respeito do povo africano e a conscientização de preservação.


A beleza das aves, a variedade de cores e o sentimento da necessidade de preservação do meio ambiente, inspiraram-me na criação da série “Canto”. Essa série de fotos composta de 19 obras, demonstra um apelo da natureza à vida. O mesmo pássaro fotografado em várias posições, representa um personagem inserido numa natureza cinza, sem vida, finalizando a série com um galho vazio.

Títulos das obras:

1- Vida

2- Esperança

3- Indiferença

4- Bela

5- Veloz

6- Mergulho

7- Observador

8- Escalador

9- Músico

10- Iluminado

11- Sonhador

12- Imperador

13- Fugitivo

14- Acuado

15- Viajante

16- Busca

17- Solidão

18- Pensador

19- Vazio

O papel utilizado na impressão tanto das obras quanto da caixa coleção, complementa o conceito desse trabalho, sendo escolhido um papel de Fine Art composto de Fibra de Bamboo e algodão, portanto 100% ecológico.

Abaixo o convite da feira que foi enviado para a imprensa:Observação importante: Esse post era para ter entrado no ar ontem. Devido um erro técnico, foi colocado com um dia de atraso.

outubro 11, 2011

Steve Jobs

Filed under: Fotografia — Lucia Adverse @ 8:21 pm

Prezado leitor, o post abaixo foi escrito e editado um dia após o falecimento de Steve Jobs. Como estava viajando e fiz tudo pelo iPhone, apenas hoje percebi que o post não havia entrado no ar. Como essas sábias frases são atemporais, pensei que não teria problema colocá-las com “um certo atraso”.

Sábado passado, aguardava meu vôo para Nova York (aeroporto do Galeão,RJ) quando resolvi ler a revista Mac +, a qual assino desde os primeiros exemplares. Havia nela uma reportagem sobre o pedido de renuncia do Steve Jobs do cargo de CEO da Apple. Na mesma reportagem, havia um destaque para algumas citações feitas por Jobs, mas a que me chamou mais a atenção foi a do famoso discurso durante uma formatura na Universidade de Stanford (2005). Na época, esse emocionante discurso foi acessado por milhares de pessoas no Youtube. Tive vontade de transcrevê-lo para o blog, mas a internet lenta do aeroporto impediu-me, deixei para depois…
Ontem, depois da triste noticia da sua morte, achei que não deveria mais adiar essa postagem e de algum modo deveria fazer uma homenagem para esse homem que para mim foi o maior gênio do nosso século. Então achei que deveria não somente colocar aquele trecho do dicurso, mas as três citações que saíram na revista. Fica aqui minha tristeza e uma profunda admiração pelo criador da Apple. Esse post é o primeiro que edito, escrevo e posto exclusivamente e diretamente de um iPhone.

“Ser o homem mais rico do cemitério não não me importa…ir dormir dizendo que fizemos algo maravilhoso… é o que importa para mim.” (The Wall Street Journal,1993)

“Sempre estarei conectado à Apple. Espero que por toda a minha vida, eu tenha a história da minha vida e da Apple conectadas. Pode haver anos em que eu não estarei aqui, mas sempre voltarei.” (Playboy, 1985)

“Seu tempo é limitado, então não perca tempo vivendo a vida dos outros. Não fique preso a um dogma-viver sob as expectativas dos outros.
Não deixe as opiniões dos outros diminuírem a sua voz. E o mais importante, tenha coragem de seguir o seu coração e a sua intuição. De alguma forma, eles já sabem o que você quer se tornar. Todo o resto é secundário.”(Trecho do discurso de formatura na Universidade de Stanford, 2005)

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