Luciaadverse's Blog

junho 30, 2009

Edward Steichen

Filed under: Historia da fotografia — Tags: — Lucia Adverse @ 10:45 pm

Eduard Jean Steichen nasceu em Luxemburgo em 1879, imigrando para os Estados Unidos com seus pais um ano depois. Na escola, o pequeno Edward demonstrou seu talento através de seus primeiros desenhos. Desde muito novo interessou-se pela arte, encorajado pela sua mãe. Em 1893, em Chicago, teve o seu primeiro grande contato com o mundo da arte contemporânea na World’s Columbiam Exposition. Aos 15 anos começou a trabalhar como aprendiz de litografia em Milwaukee (durante quatro anos), no American Fine Art Company, mas não deixou de desenhar e pintar. Em 1895, Steichen comprou a sua primeira máquina fotográfica com o seu salário e fez seus primeiros retratos, mantendo inicialmente um forte estilo pictórico.  Em 1896, tornou-se presidente do  Milwaukee Art Student’s League fotográficos. As suas fotografias foram expostas publicamente  pela primeira vez  na Filadélfia, no ano de 1899. Clarence White o conheceu em 1900 e o apresentou a Alfred Stieglitz com quem logo começou a colaborar na instalação da Galeria 291 e ajudou a estabelecer o Photo-Secession, um grupo de fotógrafos liderados por Stieglitz empenhados em fazer avançar a fotografia como uma arte. Steichen também ajudou na fundação da revista “Camera work”, uma nova revista trimestral de fotografia editada por Stieglitz. Desenhou  a capa da primeira edição e fez a tipografia. Nesta época, ainda não dedicado totalmente à fotografia, Steichen passou a maior parte de seu tempo, antes da Primeira Grande Guerra como pintor na França. Lá seu conhecimento sobre o Simbolismo, o Expressionismo e o Cubismo, possibilitou  direcionar sua atenção a estes importantes movimentos. Começou a fazer experiências com fotografias a cores em 1904, tendo sido um dos primeiros a usar o processo autochrome dos irmãos Lumiére. Em 1906, regressou a Paris, onde ficou responsável pela seleção de trabalhos  exibidos por Alfred Stieglitz em Nova Iorque.

Picture 5Edward Steichen
Henri Matisse and “The Serpentine”
c. 1909

Entre os artistas que tiveram os seus trabalhos selecionados encontravam-se nomes como John Marin, Picasso, Matisse, Brancusi, Cezanne e Rodin. Além da pintura , Steichen foi um mestre de nus femininos, fez fotografias ao estilo simbolista de paisagens rurais e urbanas e retratos de figuras expressivas de Paris e NY neste período.

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Em 1910 exibiu 31 fotografias na International Exhibition of Pictorial Photography, em Buffalo. Um ano depois fez as suas primeiras fotografias de moda, embora tenha começado a dedicar a maior parte do seu tempo à pintura.

Enquanto comandante da divisão fotográfica da força expedicionária do exército, durante a Grande Guerra Mundial, foi ganhando experiência e conhecimentos na fotografia aérea, que requeria grande precisão.

Mais tarde tornou-se fotógrafo-chefe nas publicações Conde Nast e nos quinze anos seguintes publicou regularmente fotografias na Vogue e na Vanity Fair. Foi também fotógrafo de publicidade na agência J. Walter Thompson.

Entretanto, as relações com Alfred Stieglitz tornam-se tensas devido a divergências relativamente ao fato de trabalhar em fotografia comercial e publicitária, fato com o qual Stieglizt não concordava. Steichen acreditava que tanto a fotografia de moda como a fotografia comercial poderiam ser elevadas ao nível da arte.

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Em 1938 deixou a fotografia comercial e  em 1945  tornou-se director do U.S. Naval Photographic Institute.

Em 1947, Steichen foi nomeado Diretor do Departamento de Fotografia do Museum of Modern Art de NY (MOMA), cargo que exerceu até 1961. Planejou e organizou mais de 50 exposições, entre as quais a exposição “The Family of Man considerando sua maior obra.

Em 1961, foi homenageado numa exposição individual de fotografia no Museu de Arte Moderna. Três anos mais tarde foi criado no Museu, o Edward Steichen Photography Center. Em 1967, Steichen escreveu: “… hoje já não estou preocupado com a fotografia como uma forma de arte. Acredito que ela é, potencialmente, o melhor meio para explicar o Homem a ele próprio e ao seu semelhante.”

Em 1972, foi reconhecido como um dos fotógrafos que por suas idéias, atitudes e imagens que mais ajudou a dar forma à fotografia do séc XX.

Faleceu em West Redding, no Connecticut, em 1973, pouco tempo antes do seu 94.º aniversário.

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junho 25, 2009

Sebastião Salgado volta à natureza para registrar o ambicioso Projeto Gênesis

Filed under: Fotografia — Tags:, — Lucia Adverse @ 10:30 am

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LOS ANGELES – Sebastião Salgado parece ser ligeiramente alérgico a Los Angeles. O celebrado fotojornalista brasileiro, que está espirrando desde que chegou à cidade, explicou: “Nasci em um ecossistema tropical. Não estou acostumado a essas plantas”. Ele tempera sua descrição da cidade com as palavras “estranha” e “louca”, mencionando que ficou boquiaberto com o infinito congestionamento de carros que viu da janela do avião durante a aterrissagem. 

A expansão urbana de Los Angeles é bem diferente dos lugares desertos e das florestas remotas e pouco povoadas para onde ele vem viajando com o Projeto Genesis, trabalho épico e ecológico no qual busca capturar lugares do planeta intocados pela destruição. Famoso por colocar a face humana na opressão política e econômica dos países em desenvolvimento, Salgado vem fotografando os vestígios mais imaculados que pode encontrar na natureza: recantos do planeta intocados pelo desenvolvimento moderno.

 Ele visitou a tribo seminômade Zo’e, que vive no coração da floresta tropical brasileira, e extensões do deserto do Saara desoladas pelas intempéries. Próxima parada: dois meses na cordilheira Brooks, no Alasca, seguindo a trilha dos caribous e dos carneiros de Dall. 

 Mas esse tipo de ambientalismo custa caro o bastante para mandá-lo de volta às grandes cidades em busca de apoio. Foi justamente isso que o trouxe aqui para uma rodada de três dias de reuniões, festas e bate-papos. Em uma noite, ele fez uma apresentação de slides dos novos trabalhos do Genesis com ingressos esgotados no Museu Hammer. Na noite seguinte, foi o convidado de honra em um evento para arrecadar fundos, realizado na Galeria Peter Fetterman, em Santa Monica – onde alguns de seus novos trabalhos estão expostos na mostra Africa, em cartas até o dia 30 de setembro. Depois disso, seguiu para São Francisco, para participar de um jantar beneficente oferecido por Robin Williams, antes de voltar para Paris – cidade que ele considera seu lar juntamente com Vitória, no Brasil.

 Mesmo que a programação pareça bastante cansativa, o fotógrafo de 65 anos disse que não se importa e não perde o foco no trabalho, mesmo estando rodeado de colecionadores de arte e patrocinadores de celebridades. Sentado na galeria Peter Fetterman, com uma imagem de zebras na Namíbia clicada por ele pendurada na parede ao fundo, Salgado comparou esse período longe da natureza com o momento potencialmente perturbador quando tem de trocar o filme de sua câmera – quando ele gosta de fechar os olhos e cantar para não perder a concentração.

 “Coisas especiais me trouxeram ate aqui, mas minha mente está lá, meu corpo está lá”, disse ele, com uma expressão marcante no rosto e um suave sotaque do português. “Posso estar dormindo em um hotel em Los Angeles, mas, em minha cabeça, estou sempre editando fotos.”

 Para o Projeto Genesis, previsto para durar oito anos e que já tem mais da metade concluída, Salgado está juntando os pedaços de uma estória visual sobre o impacto do desenvolvimento moderno sobre o meio-ambiente. Entretanto, mais do que documentar os efeitos diretos da poluição e do aquecimento global, por exemplo, ele está fotografando objetos naturais que acredita, de alguma maneira, “terem escapado ou sido recuperados” de tais mudanças: paisagens terrenas e aquáticas, animais e tribos indígenas que representam um estado da natureza mais puro, mais remoto – “imaculado” é a palavra preferida.

 Desta maneira, Genesis é um grandioso projeto romântico de retorno à natureza, combinando elementos do pastoral e do sublime. Salgado também descreve o projeto como um retorno à infância, pois ele cresceu em uma fazenda no Vale do Rio Doce, no sudeste brasileiro – que na época era formado por 60% de floresta tropical – que foi terrivelmente afetada pela erosão e pela devastação. Anos mais tarde, em 1998, juntamente com sua esposa, Leila, ele fundou o Instituto Terra em 1.500 acres dessa mesma região para empreender um ambicioso projeto de reflorestamento. Sua esposa, responsável também pelo projeto de seus livros e exposições, é a presidente do instituto; ele tem a vice-presidência e é a principal voz. Como escreveu Ian Parker no The New Yorker, Salgado é bem mais do que um foto-jornalista, “da mesma forma que Bono é algo mais do que um pop star”.

 Resumindo, enquanto o Instituto Terra representa seu ativismo ambiental com raízes locais, o Projeto Genesis representa seu lado global, impulsionado pela fotografia. Desde que iniciou as séries em 2005, ele já visitou cerca de 20 lugares diferentes, espalhados pelos cinco continentes.

 Tesmunho da seleção natural

 O projeto teve início na Ilha de Galápagos, onde ele prestou homenagem aos estudos que Darwin conduziu no local (Salgado diz que o título Genesis não tem caráter religioso). “Darwin passou de 37 a 40 anos dias ali”, disse. “Eu acabei ficando cerca de três meses, o que foi maravilhoso”. Ele ficou abismado ao testemunhar, com os próprios olhos, evidências da seleção natural de espécies, como o cormorão – pássaro que perdeu a habilidade de voar com o passar do tempo e busca alimentos no mar.

 No último outono, Salgado passou dois meses na Etiópia, em uma trilha de 500 milhas (com 18 mulas de carga acompanhadas de seus donos) entre a Lalibela até o Parque Nacional de Simien – fotografando montanhas, tribos indígenas e espécies raras, como o babuíno peludo conhecido como Gelada. “Viajei pela região da mesma maneira que as pessoas o faziam de 3.000 a 5.000 anos atrás”, disse ele.

 Bem, quase da mesma maneira. Ele levava consigo um telefone via satélite, que fez dele o canal de recebimento de notícias sobre as eleições presidenciais americanas em novembro último. “Quando ficamos sabendo que Obama tinha ganhado, todo mundo que estava conduzindo as mulas, todo mundo começou a pular”, contou. Ele chamou a eleição de Obama “uma vitória para o planeta”.

 Ele mantém um otimismo cauteloso em relação a seu trabalho ambiental. “Tenho 100% de certeza que minhas fotos sozinhas não fariam nada. Mas, como parte de um movimento maior, espero fazer a diferença”, disse ele. “Não é verdade que o planeta esteja perdido. Precisamos trabalhar duro para preservá-lo.”

 Fotografia conceitual

 Os projetos anteriores de Salgado também eram motivados por um sentimento de urgência. Antes de se tornar fotógrafo, ele fez doutorado em economia agrícola na Universidade de Paris e trabalhou como economista na Organização Internacional do Café em Londres. Seu alto nível de proficiência pode ser observado na complexidade de sua fotografia.

 O projeto “Trabalhadores”, que durou cinco anos e foi concluído em 1992, apresentou imagens de trabalhadores de 26 países, incluindo sua aclamada foto dos mineradores da Serra Pelada, no Brasil. “Migrações”, projeto de seis anos envolvendo 40 países e concluído em 1999, mostra migrantes, refugiados e outras populações deslocadas, muitas vezes físico e financeiramente vulneráveis (ambas as séries têm edições em capa dura).

 Brett Abbott, curador do Museu Getty que incluiu o projeto “Migrações” em suas pesquisas de 2010 sobre o fotojornalismo narrativo, considera essa “abordagem épica” uma das marcas registradas de Salgado. “Dentre todos os fotógrafos que estou analisando, provavelmente ele é quem tem a maior estrutura conceitual. Ele está sempre voltado para problemas globais”.

 Desta forma, “Genesis” representa muito menos um início do que pode parecer à primeira vista. Muito embora ele tenha recentemente adotado uma câmera digital para impressões em formato grande, as fotos de Salgado guardam uma sensibilidade consistente. Ele ainda produz provas de contato. Ele ainda gosta de dar luz de fundo ao objeto da foto, enfatizando – ou romantizando, dizem os críticos – sua forma. Ele ainda trabalha em preto em branco. E seu trabalho ainda culmina em ensaios fotográficos que, através de uma rede de estórias menores, revela algo sobre toda uma espécie. Seu objeto fundamental são sistemas sociais e, agora, ecossistemas.

 Peter Fetterman, seu galerista de longa data, vê a presença de uma linha firme que define sua carreira. Apesar da surpresa inicial ao ver as paisagens exuberantes (“Quando vi as provas de contato, pensei que talvez tivesse entrado no estúdio errado, ou no arquivo de Ansel Adams”) ele define a empatia de Salgado pelo objeto da foto como um traço absoluto. “Outros fotojornalistas fazem saídas de um dia para fotografar”, disse Fetterman. “Sebastião vai até o local e convive com o objeto por semanas antes de sequer tirar a primeira foto”.

 Salgado também enfatiza a continuidade entre seus diversos projetos. “Não tem diferença entra fotografar um pelicano ou um albatroz e fotografar um ser humano”, disse ele. “Você precisa prestar atenção no objeto, dedicar algum tempo a ele, respeitar seu território”. Mesmo as paisagens, disse ele, têm personalidade própria e merecem um pouco de paciência.

 Legado para a posteridade

 O objetivo com o Projeto Genesis é produzir um total de 32 ensaios visuais, que Salgado espera expor tanto em grandes parques públicos como em diversos museus, a partir de 2012. “Meu sonho é expor o trabalho no Central Park. Não em algum prédio, mas ao ar livre, entre as árvores”, disse ele.

 Por enquanto, o apoio financeiro ao projeto é proveniente de vendas em galerias e acordos de reproduções para revistas, como a francesa Paris Match e a portuguesa Visao. Duas fundações da região de Bay Area – a Susie Tompkins Buell’s e a Christensen Fund – têm dado apoio ao projeto. Eventualmente, para levantar fundos para a impressão, ele planeja lançar uma edição limitada de 20 fotografias em platina – uma novidade para Salgado, conhecido por sua prática democrática de realizar quantas impressões forem encomendadas.

 Este é apenas um dos elementos que faz o Projeto Genesis parecer um legado: a contribuição cuidadosamente planejada de um fotojornalista veterano para seus filhos, netos e para o mundo como um todo. Porém, ele afirma que este não será seu último trabalho. Apesar de admitir que talvez não se aventure em outra trilha de 500 milhas nas Montanhas Simien, Salgado disse que uma aposentadoria em breve não está em seus planos.

 “Não conheço nenhum fotógrafo que parou de trabalhar porque completou 70 anos”, disse ele, completando que estes profissionais costumam ter vida longa. Ele citou Henri Cartier-Bresson, que morreu aos 95 anos, e Manuel Alvarez Bravo, que chegou aos 100 anos.

 “Fui ao aniversário de 100 anos de Alvarez Bravo, na Cidade do México”, contou Salgado. “Ele estava doente, com os pés de molho em uma bacia de água morna, mas ainda tinha uma câmera na mão. Ele estava fotografando os próprios pés”A expansão urbana de Los Angeles é bem diferente dos lugares desertos e das florestas remotas e pouco povoadas para onde ele vem viajando com o Projeto Genesis, trabalho épico e ecológico no qual busca capturar lugares do planeta intocados pela destruição. Famoso por colocar a face humana na opressão política e econômica dos países em desenvolvimento, Salgado vem fotografando os vestígios mais imaculados que pode encontrar na natureza: recantos do planeta intocados pelo desenvolvimento moderno.

Ele visitou a tribo seminômade  Zo’e, que vive no coração da floresta tropical brasileira, e extensões do deserto do Saara desoladas pelas intempéries. Próxima parada: dois meses na cordilheira Brooks, no Alasca, seguindo a trilha dos caribous e dos carneiros de Dall. 

Mas esse tipo de ambientalismo custa caro o bastante para mandá-lo de volta às grandes cidades em busca de apoio. Foi justamente isso que o trouxe aqui para uma rodada de três dias de reuniões, festas e bate-papos. Em uma noite, ele fez uma apresentação de slides dos novos trabalhos do Genesis com ingressos esgotados no Museu Hammer. Na noite seguinte, foi o convidado de honra em um evento para arrecadar fundos, realizado na Galeria Peter Fetterman, em Santa Monica – onde alguns de seus novos trabalhos estão expostos na mostra Africa, em cartas até o dia 30 de setembro. Depois disso, seguiu para São Francisco, para participar de um jantar beneficente oferecido por Robin Williams, antes de voltar para Paris – cidade que ele considera seu lar juntamente com Vitória, no Brasil.

Mesmo que a programação pareça bastante cansativa, o fotógrafo de 65 anos disse que não se importa e não perde o foco no trabalho, mesmo estando rodeado de colecionadores de arte e patrocinadores de celebridades. Sentado na galeria Peter Fetterman, com uma imagem de zebras na Namíbia clicada por ele pendurada na parede ao fundo, Salgado comparou esse período longe da natureza com o momento potencialmente perturbador quando tem de trocar o filme de sua câmera – quando ele gosta de fechar os olhos e cantar para não perder a concentração.

“Coisas especiais me trouxeram ate aqui, mas minha mente está lá, meu corpo está lá”, disse ele, com uma expressão marcante no rosto e um suave sotaque do português. “Posso estar dormindo em um hotel em Los Angeles, mas, em minha cabeça, estou sempre editando fotos.”

Para o Projeto Genesis, previsto para durar oito anos e que já tem mais da metade concluída, Salgado está juntando os pedaços de uma estória visual sobre o impacto do desenvolvimento moderno sobre o meio-ambiente. Entretanto, mais do que documentar os efeitos diretos da poluição e do aquecimento global, por exemplo, ele está fotografando objetos naturais que acredita, de alguma maneira, “terem escapado ou sido recuperados” de tais mudanças: paisagens terrenas e aquáticas, animais e tribos indígenas que representam um estado da natureza mais puro, mais remoto – “imaculado” é a palavra preferida.

Desta maneira, Genesis é um grandioso projeto romântico de retorno à natureza, combinando elementos do pastoral e do sublime. Salgado também descreve o projeto como um retorno à infância, pois ele cresceu em uma fazenda no Vale do Rio Doce, no sudeste brasileiro – que na época era formado por 60% de floresta tropical – que foi terrivelmente afetada pela erosão e pela devastação. Anos mais tarde, em 1998, juntamente com sua esposa, Leila, ele fundou o Instituto Terra em 1.500 acres dessa mesma região para empreender um ambicioso projeto de reflorestamento. Sua esposa, responsável também pelo projeto de seus livros e exposições, é a presidente do instituto; ele tem a vice-presidência e é a principal voz. Como escreveu Ian Parker no The New Yorker, Salgado é bem mais do que um foto-jornalista, “da mesma forma que Bono é algo mais do que um pop star”.

Resumindo, enquanto o Instituto Terra representa seu ativismo ambiental com raízes locais, o Projeto Genesis representa seu lado global, impulsionado pela fotografia. Desde que iniciou as séries em 2005, ele já visitou cerca de 20 lugares diferentes, espalhados pelos cinco continentes.

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junho 22, 2009

Encomenda (Cecília Meireles)

Filed under: Meus trabalhos, Poesias-Pensamentos-Frases-Reflexões — Tags:, , — Lucia Adverse @ 5:09 pm

VIAGEM EXTERIOR                                                                  

 Lindo poema enviado pelo nosso amigo  COMODO !

Poema de conhecimento obrigatório para fotógrafos.

Encomenda (Cecília Meireles)

Desejo uma fotografia
como esta – o senhor vê? – como esta:
em que para sempre me ria
como um vestido de eterna festa.

Como tenho a testa sombria,
derrame luz na minha testa.
Deixe esta ruga, que me empresta
um certo ar de sabedoria.

Não meta fundos de floresta
nem de arbitrária fantasia…
Não… Neste espaço que ainda resta,
ponha uma cadeira vazia.

junho 16, 2009

“Direito Autoral na Fotografia Brasileira”

Filed under: Fotografia — Lucia Adverse @ 3:29 pm

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No próximo mês de agosto,  a Regional/MG  da Associação de Fotógrafos Fototech, está organizando o primeiro seminário “Direito Autoral na Fotografia Brasileira”, trazendo a Belo Horizonte, importantes nomes da fotografia nacional para tratar de um dos mais importantes temas de nosso mercado.

O seminário acontecerá no dia 31 de agosto de 2009, no Teatro da Cidade, à Rua da Bahia nº 1341 (próximo ao Terminal de Conexão Rodoviaria ao Aeroporto de Confins), com a seguinte programação:

 * 08:30hs: Abertura

* 09hs: Os direitos autorais e a obra fotográfica no Brasil de hoje.

Palestrante: Dr. José Roberto Comodo Filho (SP), advogado especialista em Direitos Autorais e sócio-proprietário da Riguardare – Scuola di Fotografia

* 10:30hs: O cenário atual para os bancos de imagem e agências de fotojornalismo.

Palestrante: Eneraldo Carneiro (RJ), fotógrafo, fundador e diretor da Agência Documenta fotojornalismo e documentação, empresa voltada para a prestação de serviços de fotografia e banco de imagens.

* 12 às 14hs: Almoço

* 14hs: Os coletivos fotográficos, autoria fotográfica e o creative commons.

Palestrantes: Leandro Caobelli (Garapa) e Pio Figueiroa (Cia de Foto) / (SP), ambos fotógrafos e integrantes de dois dos mais expressivos coletivos fotográficos brasileiros.

 * 15:45hs: A formação do preço do trabalho fotográfico

Palestrante: Clicio Barroso (SP), fotógrafo e presidente da Associação de Fotógrafos Fototech



 * 16:30hs: Intervalo (coffee-break)



 * 17hs: Mesa-redonda e debate com os participantes do seminário



 *18:30hs: Encerramento



Investimento (a ser realizado após o início das inscrições oficiais):

R$ 120,00 (público em geral)

R$ 80,00 (associados Fototech)

Pré-inscrições: de 01º a 30 de junho de 2009.

Para reservar uma vaga, o interessado deverá enviar uma mensagem para o e-mail  minas@fototech.com.br sob o titulo “Pré-inscrição – Seminário de Direitos Autorais”.

No corpo da mensagem deverão contar o nome completo e e-mails ativos para contato.  Não é necessário fazer nenhum tipo de pagamento para efetuar sua pré-inscrição. Ao iniciarem as inscrições oficiais, serão enviadas mensagens comunicando o prazo para a efetivação das mesmas através de depósito bancário.

Maiores informações: guto@gutomuniz. com.br

GUTO MUNIZ – Diretor da Regional Minas Gerais da Associação Fototech

www.gutomuniz. com.br

Abaixo o flyer do seminário:

Flyer Direitos Autorais


junho 14, 2009

Café da Travessa

Filed under: Gastronomia, Meus trabalhos — Tags:, — Lucia Adverse @ 6:48 pm

Hoje vou colocar algumas fotos de gastronomia que fiz para o Café da Travessa.

TRAVESSA EM BAIXA-0067 PRATO EXECUTIVO

Café da Travessa baixa CHOPP DA TRAVESSA

TRAVESSA EM BAIXA-3 BATATA RÖSTI DE FRANGO COM REQUEIJÃO

TRAVESSA EM BAIXA-0143 WRAP DE RÚCULA COM TOMATE SECO

TRAVESSA EM BAIXA-0105 PORÇÃO AMIGA

TRAVESSA EM BAIXA-2 TRAVESSA BURGUER

Humm! É de dar água na boca…

junho 13, 2009

IV Varal Fotográfico do FotoClube BH

Filed under: Exposições — Tags: — Lucia Adverse @ 2:08 pm

Belo Horizonte terá exposição coletiva de 100 fotógrafos na Praça JK

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Amanhã acontecerá o IV Varal Fotográfico do FotoClube BH. O FotoClube BH, associação que agrega mais de 600 fotógrafos mineiros, promoverá pela quarta vez o seu “varal fotográfico”. O Varal é uma exposição coletiva de 1 dia, que nesta edição deverá contar com mais de 100 participantes. Tem um conceito de disseminação democrática da arte fotográfica, congregando desde fotógrafos profissionais, com larga bagagem de mercado, até fotógrafos amadores e iniciantes. Da mesma forma, procura levar as exposições fotográficas aos locais mais acessíveis para toda a população de Belo Horizonte – desta vez, a Praça JK, localizada na Avenida Bandeirantes. A exposição permanecerá aberta ao público das 9h às 18h e contará com um acervo de cerca de 300 imagens dos mais diversos temas. Toda a organização é feita através do trabalho voluntário dos participantes. Eles dedicam um dia do final de semana anterior para planejar os detalhes finais e fazer a montagem das fotos, num intenso e divertido trabalho de integração.

O FotoClube BH nasceu em 2006, da iniciativa de fotógrafos que buscavam compartilhar, através da internet, trabalhos fotográficos relacionados a cidade de Belo Horizonte. Com a crescente adesão de novos membros, o empreendimento migrou do mundo virtual para o real. Desde então, o FotoClube passou a organizar encontros, expedições fotográficas, cursos, oficinas e, finalmente, as três primeiras edições do Varal Fotográfico, em 2008 – duas na praça da Assembléia e uma na Praça da Liberdade.

Atualmente, o FotoClube BH está no estágio final do seu processo de regularização, que tornará possível a execução de projetos ainda mais audaciosos. O redesenho do FotoClube inclui objetivos de estabelecer parcerias com governos e empresas para oferecer treinamentos, atividades e serviços aos seus associados, bem como o desenvolver projetos que levem a arte fotografia a diversos segmentos da sociedade.

junho 11, 2009

Mostra nos EUA reúne fotografias feitas por deficientes visuais

Filed under: Exposições — Tags: — Lucia Adverse @ 5:55 pm

Uma exposição de fotografia nos Estados Unidos está atraindo a atenção por um motivo inusitado: todos os artistas participantes são deficientes visuais — muitos são completamente cegos.

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A mostra “Sight Unseen” (“Vista não vista”, em tradução livre), em cartaz no Museu da Fotografia da Califórnia, ligado à Universidade da Califórnia em Riverside, reúne mais de cem imagens realizadas por 12 profissionais de cinco países. Nelas, os artistas retratam cenas do cotidiano ou saídas de suas próprias mentes. 

“A maioria dos fotógrafos enxergam para fotografar. Estes artistas fotografam para enxergar”, resume o curador da exibição, Douglas McCulloh. “Sight Unseen” fica em cartaz até 29 de agosto.

Picture 10 Foto de Michael Eckert, norte-americano, acima.

“Sou muito visual, apenas não consigo enxergar”, afirma ele à BBC Brasil 

Picture 11Acima, foto do esloveno Evgen Bavcar, que perdeu a vista antes dos 12 anos 

Picture 13Foto do californiano Pete Eckert, que adotou a fotografia após ter ficado completamente cego, na década de 1980

Picture 14Foto do americano Michael Richard, que se tornou fotógrafo depois da retirada de um tumor maligno na parte atrás de seus olhos. Richard morreu quatro anos após a cirurgia 

Picture 15Acima, foto do norte-americano Kurt Weston, que retrata temas como raiva, perda, doença e decadência

Picture 16Foto do norte-americano Kurt Weston, cego do olho esquerdo e com uma visão periférica no direito

Picture 17Acima, fotografia do mexicano Gerardo Nigenda, que perdeu a visão por causa de diabetes, aos dez anos. Suas fotos são complementadas por textos em Braille

É impressionante a qualidade do trabalho desses artistas e inacreditável que sejam deficientes visuais. Conseguem superar  muitos fotógrafos visuais.

FONTE:

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junho 10, 2009

Quando a fotografia vira filme…

Filed under: Fotografia — Lucia Adverse @ 2:32 pm

 

 

Her Morning Elegance
Directed by: Oren Lavie, Yuval & Merav Nathan
Featuring: Shir Shomron
Photography: Eyal Landesman
Color: Todd Iorio at Resolution
© 2009 A Quarter Past Wonderful
“Her Morning Elegance” written and produced by Oren Lavie, from the Oren Lavie album The Opposite Side of the Sea
© 2009 A Quarter Past Wonderful/Adrenaline under license from Tuition 

Her Morning Elegance

Directed by: Oren Lavie, Yuval & Merav Nathan

Featuring: Shir Shomron

Photography: Eyal Landesman

Color: Todd Iorio at Resolution

“Her Morning Elegance” written and produced by Oren Lavie, from the Oren Lavie album The Opposite Side of the Sea

© 2009 A Quarter Past Wonderful/Adrenaline under license from Tuition 

junho 9, 2009

Mostra em Munique celebra 150 anos do nu artístico

Filed under: Exposições — Tags:, — Lucia Adverse @ 9:02 am

A exposição “Nude Visions – 150 Anos de Imagens de Corpos na Fotografia”, em um museu de Munique, no sul da Alemanha, conta a história do nu artístico na fotografia através das décadas. Com cerca de 250 trabalhos de seu acervo, a mostra do Münchener Stadtmusem procura investigar os limites entre arte, sensualidade e pornografia. Aberta até dia 13 de setembro, a exposição é organizada cronologicamente, trazendo um panorama que vai de 1855 até 2005.

Rudolf Lehnert & Ernst Landrock                                                               Rudolf Lehnert & Ernst Landrock

Rudolf Koppitz                                                                                 Rudolf Koppitz

Gerhard Riebicke                                                                      Gerhard Riebicke

Jan Mutsu                                                                              Jan Mutsu

Herbert List                                                                                  Herbert List

As peças mais antigas são datadas do início da história da fotografia, na metade do século 19. Essas obras, entretanto, não tinham um fim artístico — eram produzidas para servir de apoio ao estudo de pintores, desenhistas e escultores.

Essas primeiras experiências, desenvolvidas dentro de ateliês, trazem pessoas em trajes históricos, em poses inspiradas em motivos da antiguidade e do renascimento e retratam tanto homens, como mulheres e crianças.

Somente no começo do século 20 é que o gênero ganha vida própria, se transformando em obra de arte, com diversas correntes.

Os anos 20 e 30 marcam o começo das experiências com perspectivas, distorções e ângulos mais arrojados. Os movimentos de vanguarda nos anos após a Primeira Guerra Mundial desconstruíram e fragmentaram o corpo humano através de exposições múltiplas e contrastes fortes de claro e escuro.

Nas décadas posteriores, os retratos de nus foram ganhando o glamour, tomando as páginas de revistas de moda e conquistando estrelas de cinema.

Uma imagem que já entrou na memória coletiva é a de uma lasciva Marilyn Monroe clicada em 1962 pela câmera do fotógrafo Bert Sterns.

Bert Stern

junho 5, 2009

Um banco de jardim

Filed under: Meus trabalhos, Poesias-Pensamentos-Frases-Reflexões — Lucia Adverse @ 2:37 pm

©Lucia Adverse 2009. All rights reserved.

Um banco de jardim pode servir de cama, mas não é cama. Tampouco é uma cadeira. As cadeiras são levadas de um lado para o outro, congregam-se de diferentes maneiras, reconfigurando-se de acordo com as necessidades da situação social em que se encontram. Ainda que limitadamente, até mesmo viajam um pouco – as cadeiras do terraço de um café em Paris são levadas para dentro de noite – , mas um banco não tem esse tipo de vida interior. O banco de jardim vê a noite passar, à espera do amanhecer. Por isso, sua vida noturna pode ser mais romântica que a da cadeira.

Um banco de jardim é um albergue público para gente que não tem casa, um bar que nunca fecha. Todo mundo é sempre bem-vindo, mesmo quando não é. As pessoas se refugiam num banco de jardim quando nada mais resta, mas o banco só pode se refugiar em seus próprios poderes ilimitados de resistência. Por isso, ele conserva um vestígio de dignidade que transmite a quem senta nele, e até a quem, em vez de sentar, desmorona.

GEOFF DYER  o instante contínuo

uma história particular da fotografia

junho 1, 2009

Derek Lea

Filed under: ARTE DIGITAL — Tags: — Lucia Adverse @ 5:55 pm

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Derek Lea apresentou duas palestras no 2º Design Show Computer Arts, que ocorreu nesse final de semana no Auditorio do Senac Consolação. Na primeira, contou  e mostrou toda a trajetoria da sua carreira.  Na segunda palestra, mostrou passo a passo a construção e finalização de uma das suas artes digitais. Derek Lea é um ilustrador digital canadense que iniciou a profissão fazendo ilustrações utilizando como base da construção dos seus trabalhos a fotografia, porém na sua fase atual estão mais parecidas com desenhos. Tudo começou quando ele ainda era bem jovem-por volta dos 17 anos- ele saía pela cidade com uma câmera 35mm fotografando tudo o que tinha vontade. Sua atração era por texturas como areia, paredes diversas, encanamentos, enfim… tudo o que chamasse sua atenção, inclusive  figuras geometricas. Nessa altura, ele ainda não tinha ideia do que faria com essas fotos, mas tinha uma intuição que o seu caminho era aquele e continuava colecionando fotos. Até que um dia, passando em frente ao uma agencia leu um aviso: “precisa-se de um manipulador digital”. Não teve dúvidas, anotou o telefone, ligou e disse: “_Eu sou o cara que vocês precisam!” E assim conseguiu seu primeiro emprego como manipulador digital. O salário não era grande coisa, mas tinha liberdade para fazer o que quisesse, sentiu-se realizado. Começou nessa época, ver sentido naquelas fotografias que havia colecionado, começou a fazer montagens e trabalhar muito com o Photoshop. Sua primeira grande influência foi Dave McKean, um célebre desenhista de quadrinhos e ilustrador inglês. Fez inscrições em alguns concursos e considera que um dos trabalhos mais importantes da sua carreira foi esse:

iterance

Foi o primeiro trabalho com algum reconhecimento. Sua coleção de fotografias passaram a fazer parte do seu trabalho, hora fazendo parte de  uma montagem juntamente com suas ilustrações ou utilizadas como planos de fundo. Possui um grande inquietude e constantemente seu trabalho sofre mutações. Derek conta que quando começava ficar bom numa técnica ou estilo, logo perdia o interesse, sentia-se estagnado, sem estímulo, então…  se via forçado mudar radicalmente e correr atrás de um novo desafio, fazendo com que se o seu trabalho não tenha uma constância. Passa por várias fases que vai desde essas fusões de imagens com ilustrações até um trabalho de pura ilustração. Desde 1999 é colaborador da Revista Computer Arts. Abaixo um pouco da sua arte digital.

catharsis Essa ilustração Derek nos disse que considera uma autobiografia, mostra sua inquietude e necessidade de liberdade que se torna uma busca em relação ao seu trabalho.

indiaEssa é a fase que eu mais gosto do trabalho dele!

dreaming

dreamweaver

youth

psychosurgery

3d-scanners

insomniaEntra numa fase mais tecnologica, passa para uma mais ilustrativa e chega na atual deixando o seu  trabalho  semelhante aos quadrinhos.

biorhythms

lists

data-flow

creatures

lucha-libre

waspwoman

vixens

pagers

spacevixenE finalmente, encerro mostrando uma fase das mais atuais dele, aonde Derek volta misturar fotografias com ilustração na construção da sua arte digital. Essa última foi o trabalho que ele escolheu para nos mostrar passo a passo de como foi feito. Como disse ontem para vocês, valeu muito a pena essa maratona de palestras e ter conhecido o trabalho de profissionais de tão alto nível!

gxo

pray

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