Luciaadverse's Blog

novembro 22, 2011

Exposição China

Ontem pela manhã fui surpreendida por essa mensagem no Facebook:

Prezados amigos e colecionadores,

Segue um resumo em video que mostra um pouquinho da ultima Feira de Arte Contemporanea Art Canton 2011, na China, onde minha galeria teve grande prazer em apresentar trabalhos dos quatro artistas brasileiros selecionados para esse grande projeto:

Antonio Temporão
Kakati De Paiva
Leopoldo Martins
Lucia Adverse

Muito trabalho, grande prazer em apresentar a todos e reafirmar que todos os quatro fazem parte de uma leva de artistas contemporaneos de trabalho altamente qualitativo, com excelente receptividade e vendas internacionais, que confirma a competencia de cada um.
PS: O video e uma producao voluntaria da feira, que decidiu dar destaque para nosso stand, escolhido como a melhor cenografia da feira na edicao de 2011.
Parabens aos quatro artistas que com trabalhos excelentes conseguiram destaque e apreciacao.
Notem a visita do governo da regiao e entrega do livro autografado do artista Leopoldo Martins ao governador em video.

Agradeço imensamente o Ricardo pelo carinho, incentivo e principalmente pela credibilidade!

Clique na imagem abaixo que você verá o vídeo sobre a feira!

No mês passado, escrevi aqui no blog, um post falando sobre o trabalho apresentado na Art Canton Fair.

Você verá o post completo clicando aqui.

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novembro 20, 2011

A janela de Lula

Filed under: Fotografia — Lucia Adverse @ 5:43 pm

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Claudio Edinger, fotógrafo carioca radicado em São Paulo, trabalhou para as principais revistas do mundo. É ganhador, por duas vezes, da Leica Medal of Excellence (pelos livros Chelsea Hotel, Venice Beach) e do Life Magazine Award (por Loucura)
Nos anos 80, Cornell Capa, diretor supremo do International Center of Photography, então o lugar mais importante de fotografia no mundo, disse para quem quisesse ouvir (eu estava lá): “O fotojornalismo está morto!” Eu ri. Ele era mesmo dado a exageros. Se alguém podia era ele. Húngaro, irmão do famoso Robert Capa, com uma obra razoável, membro da famosa agência Magnum, tinha todo direito à hipérbole. Depois, pensei, de certa forma o Cornell tem razão, está morto mesmo, a CNN com seus repórteres onipresentes 24 horas no ar, matou o fotojornalismo, aquele romântico, de artistas que traziam a notícia com imagens espetaculares a que ninguém mais tinha acesso. Foi-se a era de um Lewis Hine revelando em imagens o trabalho infantil abusivo. De Jacob Riis mostrando as favelas de Manhattan. Ou de W. Gene Smith denunciando o desastre de Minamata no Japão com fotos espetaculares. Acabou a época em que fotos coloridas com o sangue dos soldados americanos ajudaram a acabar com a Guerra do Vietnã.

Nos últimos 30 anos, entretanto, desde que Cornell profeticamente liquidou o fotojornalismo, tem havido uma revolução na fotografia. O trabalho autoral, em que, olhando-se a foto é possível identificar seu autor, tem tomado conta de todas as áreas, além da arte, da moda, da publicidade e do fotojornalismo. Mesmo em revistas como a Time e a Newsweek é comum vermos fotos autorais, trabalhos únicos elaborados, verdadeiras interpretações do real contando uma história que funciona em diversos níveis: informativo, psicológico e estético.

Tenho observado, aqui de longe, a janela do nosso ex-presidente. Momentos talvez mais dramáticos de sua longa e movimentada vida, revelados em parcas frações de segundos para os paparazzi de plantão e, por conseguinte, para todos nós. É sensacional o paralelo com outra janela na fotografia. Em 1978, John Szarkowski, o diretor de fotografia do MoMA nova-iorquino, organizou uma exposição chamada Windows and Mirrors (Janelas e Espelhos). Foi uma mostra revolucionária, em uma época em que a fotografia começava a migrar dos jornais e revistas para as paredes dos museus e galerias – e dos colecionadores e aficionados.

Espelhos eram fotos que refletiam o mundo interior de fotógrafos como Ansel Adams, Ralph Gibson e Robert Mapplethorpe. Fotografias enquanto janelas eram as de Robert Frank, Garry Winogrand e Diane Arbus, que nos mostram um mundo único, particular, que sem a ajuda desses olhos privilegiados não teríamos percebido. No caso da nossa janela em São Bernardo ela acaba virando também um espelho, que mostra um pouco do que somos, de como nossa curiosidade obriga fotojornalistas a montar acampamento esperando que a janela de novo se abra e nos revele novidades. Uma fotografia que está mais para o ‘paparasitismo’.

Vemos como somos. Gosto quando ouço que fotografias não representam a realidade. Que são recortes do espaço. De 360 graus de possibilidades, o fotógrafo recorta ali, retira aquele pedaço de espaço no tempo. Fotos são sugestões, alusões, sonhos, imagens do nosso inconsciente que se manifestam. Susan Sontag diz que a fotografia, em vez de registrar a realidade, se transformou na maneira de como vemos as coisas e dessa forma distorceu nossa própria noção do que é real. Hoje, o que vem crescendo e afetando as pessoas, como a pintura afetou no século passado, do impressionismo à pintura abstrata, é exatamente essa fotografia autoral: aquela em que enxergamos o mundo particular de um artista e, se o trabalho é bom, encontramos ressonância com nosso próprio universo.

O mundo íntimo do fotógrafo Miguel Rio Branco transborda em suas imagens poéticas e sutis. A dor e a beleza da história de seus antepassados está em todo o trabalho de Eustáquio Neves. A infância atribulada de uma alemã sob o domínio russo pode ser vista no trabalho incrível de Loretta Lux. O exílio e a perda de identidade também podem ser percebidos no trabalho brilhante do cubano Abelardo Morell, que cria câmeras obscuras em quartos e salas que visita. Os stills do filme da vida de Gregory Crewdson ou Cindy Sherman são maravilhosos. A fotografia utilizada assim, como catarse ou metáfora, enriquece, provoca, atiça nossa imaginação. E o mercado das artes corresponde ao que vem acontecendo. Uma fotografia de Cindy Sherman foi vendida recentemente por US$ 3,9 milhões, mais que por trabalhos da grande maioria dos artistas vivos. Mas menos que o de outro fotógrafo, o alemão Andreas Gursky, cuja obra alcançou o recorde de US$ 4,3 milhões agora em novembro.

Quando lemos um bom livro, cada cena descrita, cada situação, aparece na mente de cada um de uma forma absolutamente própria, relacionada ao nosso universo particular. Claro, ninguém lê o mesmo livro nunca. Tudo se relaciona ao que já sabemos e ao que conseguimos imaginar. Roland Barthes diz que os verdadeiros realistas entendem que a fotografia não é realidade, é mágica, é vodu. Quando fui parar dentro do Juqueri em 1989, tentando entender a loucura, a câmera me levou para lá. Vodu puro, alquimia antiga, visitar um asilo de doentes mentais com uma câmera grande, tripé e flash, e sair de lá carregando ideias, medos pessoais, descobrimentos. A câmera registrou momentos que me forçaram a refletir. Que obrigaram muita gente a refletir sobre um universo do qual sabemos tão pouco. Muita gente não quis abrir o livro que fiz sobre a loucura. O coração não sente o que não vê.

Quando vemos imagens, a tendência natural é acreditar nelas. Pensamos em imagens, sonhamos imagens, nossa lembrança é construída por imagens. Imagens satisfazem nossa imensa curiosidade. Quando o homem estatisticamente mais querido do Brasil fica doente, vemos suas fotos e nossas reações são diversas. Mas não se pode negar que são fotos da nossa história descarrilada. Susan Sontag, no livro A Doença como Metáfora (Companhia de Bolso, 2007), falando da própria enfermidade, diz que a sociedade tende a psicossomatizar o câncer, relacionando a doença a fatores mentais: ficamos doentes quanto reprimimos sentimentos, angústias.

A força da fotografia é sua influência em nossa imaginação. Como não tem limite, a imaginação precisa de um norte, um leme – aí sim, navega bem. A fotografia tem essa força e impacto. O Hotel Chelsea em Nova York era só um prédio de dez andares para quem passasse pela Rua 23 em direção à Oitava Avenida. Mas dentro havia um microcosmo extraordinário da vida cultural nova-iorquina. A fotografia nos possibilita essa entrada em universos fechados. Cada foto de cada quarto nos dá sugestões de como a vida de cada um deve ser, pode ser, de acordo com nosso limite. Não vemos as coisas como são, diz Anaïs Nin, mas como somos.

Por outro lado, ouço dizer que, ao vermos repetidamente imagens que nos tocam, a tendência natural é que deixem de ter o efeito desejado, vamos nos dessensibilizando. Imagens de moradores de rua têm esse efeito. Ou imagens de motoqueiros caídos nas avenidas. A repetição acaba com a eficácia das imagens, dizem… Será? O paradoxo é que imagens que capturam nossa imaginação circulam hoje numa velocidade estonteante pelas redes sociais, multiplicando seu efeito. Ainda agora, acabo de ver uma foto do presidente Lula no Facebook, na parede de um amigo, Lula sem cabelo, rindo nos braços de d. Marisa, com os dizeres que emocionam: “É isso aí, cabeça erguida, sorriso no rosto, força Lula!” Quarenta e sete pessoas curtiram isso. As imagens ganharam uma força inacreditável com as redes sociais. O fotojornalismo morreu, mas o fotojornalismo ganhou mais força do que nunca, pelas redes e pelos sites de notícias que usam cada vez mais fotos dos próprios leitores.

Walter Benjamin disse que, no futuro, analfabeto não será mais quem não sabe ler, mas quem não sabe ver uma fotografia. O futuro chegou. As pessoas estão cada vez mais letradas fotograficamente. Todo mundo tem uma câmera, tira milhares de fotos por ano e, por isso, exige tanto da fotografia e, por isso, fotografias têm cada vez mais vida útil e, por conseguinte, mais impacto. O fotojornalismo está morto, sim, mas continua mais vivo que nunca em suas novas reencarnações poderosas.

Fonte: http://www.estadao.com.br

Post editado e postado através do iPhone.

novembro 18, 2011

Happy End

Encerrando as atividades do ano, o marchand Ricardo Fernandes promove uma coletânea com obras de 6 artistas em sua galeria em Paris. Esculturas, pinturas e fotografias convivem em harmonia no elegante espaço no Marais.

Nessa amostra, participo com algumas peças da minha série Universo Curvo, inspirada nas curvas da arquitetura do Oscar Niemeyer, mais detalhes veja aqui.

Quem estiver em Paris nesse período não deixe de nos prestigiar!

novembro 12, 2011

Paris

Filed under: Fotografia — Tags: — Lucia Adverse @ 5:58 pm

Compartilhando esse lindo vídeo com fotos de Paris (algumas históricas).

Dica do meu amigo Elmo Alves:

“My Week with Marilyn”

No próximo dia 23 de novembro, estréia o filme “My Week with Marilyn”. Um novo trecho de My Week With Marilyn circula na internet, atiçando ainda mais a curiosidade dos cinéfilos e dos fãs de Marilyn Monroe.

Nesse mais novo filme sobre a polêmica estrela de Hollywood, Marilyn resgata seu assistente Colin Clark, vivido pelo ator Eddie Redmayne, do estúdio que comandava as filmagens de O Príncipe Encantado (1956), e o desvia para uma aventura. Denominado Getaway Car, o vídeo tem como surpresa a própria personagem, que se revela escondida no banco traseiro do automóvel que deveria conduzir o rapaz a um almoço inocente.

Experiências como esta resultaram nos diários de Clark, transformados agora em filme pelo diretor Simon Curtis. O longa retrata o período em que ele conviveu com a atriz enquanto ela filmava O Príncipe Encantado, em Londres. Durante uma semana, o rapaz foi assistente daquela que já havia se tornado musa e protagonizado a memorável cena do vestido esvoaçante de O Pecado Mora ao Lado (1955).

Naquele período, a porção trágica da vida da atriz também já havia feito sua estreia: O Príncipe Encantando foi filmado logo após Marilyn ser abandonada pelo marido em plena lua de mel. Seis anos depois, ela foi encontrada morta, aos 36 anos de idade, e nunca se soube se a ingestão do coquetel de soníferos que lhe roubou a vida foi acidental.

Gênero:Drama

Direção: Simon Curtis 

Roteiro: Adrian Hodges 

Elenco: Derek Jacobi (Sir Owen Morshead)Michelle Williams (Marilyn Monroe)Kenneth Branagh (Laurence Oliver)Dominic Cooper (Milton Greene)Judi Dench (Dame Sybil Thorndike )Emma Watson (Lucy)Eddie Redmayne (Colin Clark) 

No ano passado, comprei um livro do fotógrafo Bert Stern que é uma verdadeira obra prima. Paguei na época examente o valor de $81.00. Hoje, consultando o preço do mesmo livro, o valor dobrou. Será que é por causa da divulgação do filme?

 


 

novembro 5, 2011

Impressão e Gerenciamento de Cor

Filed under: Dicas — Lucia Adverse @ 2:24 pm


Geraldo Garcia, natural do Rio de Janeiro, sempre foi apaixonado por fotografia e pelo processo de formação da imagem.Nos anos 2000, abandonou sua carreira anterior para dedicar-se exclusivamente à fotografia editorial, publicitária e também ao ensino da fotografia. Especializou-se nos processos impressão e no gerenciamento de cor para processo fotográfico. Atualmente dirige o estúdio “Imagem Impressa” e ministra cursos, workshops e palestras sobre impressão de arte e fotografia em instituições como UFRJ, PUC-RJ, Universidade Estácio de Sá e SENAC-RJ. Foi o primeiro estúdio de impressão fine arts certificado pela Hahnemuhle da Alemanha.

Em parceria com o Pedro Cine Foto, Geraldo Garcia estará aqui em Belo Horizonte no dia 22 de novembro, divindo seus conhecimentos no auditório da Escola Guinard, [UEMG] Universidade do Estado de Minas Gerais.

Se eu fosse você não perderia por nada!

Conheça mais sobre o trabalho do Geraldo no site da Imagem Impressa:

http://imagemimpressa.com/

Ou no seu instrutivo blog:

http://blog.geraldogarcia.com

novembro 4, 2011

Exposição Percursos e Afetos

A Pinacoteca do Estado de São Paulo, apresenta a exposição Percursos e Afetos – Fotografias, 1928/2011 – Coleção Rubens Fernandes Junior, com cerca de 80 imagens (cor e PB). Realizadas por importantes fotógrafos como German Lorca, Gaspar Gaparian, José Oiticica Filho, José Medeiros, Jean Manzon, Nair Benedicto, Stefania Brill, Hildegard Rosenthal, Mario Cravo Neto, Fernando Lemos, Elza Lima, Bob Wolfenson, Cristiano Mascaro, Cássio Vasconcelos, Boris Kossoy, entre outros, a mostra tem como ponto de partida um retrato de Mário de Andrade, 1928, feito por Michelle Rizzo um dos primeiros fotógrafos a atuar em São Paulo. A partir desta imagem são apresentadas cenas da cidade de São Paulo, da vida cotidiana e uma série de retratos de artistas e personalidades como Geraldo de Barros, Pierre Verger, Thomas Farkas, entre outros.

A seguir texto do Curador da mostra Diógenes Moura:

A exposição nos apresenta o modo de ver de um colecionador, Rubens Fernandes Junior, pesquisador que vem se dedicando ao estudo e ao entendimento dos processos fotográficos pelo menos nas três últimas décadas. A partir da busca incessante desse ato de colecionar e pesquisar, essa trajetória transforma Rubens Fernandes Junior em um personagem-referência para as questões ligadas à imagem principalmente no Brasil. Esse conjunto que agora a Pinacoteca apresenta (com outra pontuação intitulada Fotógrafos Lambe-Lambe no Parque da Luz, 1920/1932, que poderá ser vista no percurso da mostra de longa duração, no segundo andar do museu) foi sendo construído a partir da profunda relação estabelecida entre os artistas e o pesquisador, e das suas intermináveis buscas em espaços públicos e privados, com a intenção de criar uma coleção onde não apenas a fotografia estivesse presente como “objeto de desejo”, mas, sobretudo, como ponto de partida para o encaminhamento de um conhecimento sem fronteiras entre procura, respostas e descobertas.

É esse o aspecto que torna tão provocante esse conjunto de obras e documentos. Entre essas imagens e seus autores há uma história sendo pontuada que passa pela fotografia documental, pelo fotojornalismo, pelos ensaios autorais, pelos retratos e pelos experimentos que indicam não apenas os processos de trabalho e as técnicas assimiladas. Mostram, também, as variadas formas de impressão, a preocupação com o resultado final a partir da escolha de determinado tipo de papel, sua gramatura, os efeitos que a superfície plana ou porosa poderá provocar na exatidão ou no ruído da imagem da forma que o autor gostaria que fosse finalmente apreciada. Então temos uma troca de experiências: o olhar do pesquisador que encontra e protege o olhar do fotógrafo que viu o que os outros, nós que estamos do lado de cá, queremos fixar para tentar entender, digamos assim, a passagem do tempo e seus pequenos segredos, já que cada fotografia traz em sua representação um esquema muito particular de alguma não-coisa que gostaríamos de guardar talvez para sempre.

Rubens Fernandes Junior foi responsável, em 1980 – durante a gestão de Fábio Magalhães –, pela criação do Gabinete Fotográfico na Pinacoteca. Essa experiência aproximou a fotografia da programação do museu com a intenção de “criar um espaço para a discussão fotográfica enquanto manifestação social, cultura e artística”. Nos dois anos seguintes foram realizadas mostras de nomes hoje com trabalhos definitivos para a compreensão da fotografia brasileira. A exposição Processos e Afetos – Fotografias, 1928/2011 traz de volta para o museu, três décadas depois, a espectrografia de um poeta-caminhante que sobretudo na solidão de suas pesquisas, nas andanças pelas cidades, diante dos seus livros e das fotografias que lhe pertencem, protege e expõe aquilo que não deveremos esquecer.

Fonte: Pinacoteca do Estado de São Paulo

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