Luciaadverse's Blog

março 26, 2011

Thomaz Farkas

Filed under: Arte, Fotografia — Tags: — Lucia Adverse @ 3:21 pm

É com grande pesar que trago essa notícia aqui no blog. Ontem o fotógrafo Thomaz Farkas, faleceu de falência múltipla de órgãos em São Paulo,  aos 86 anos, após permanecer 21 dias internados no Hospital Sírio-Libanês.

Nascido em 1924, Budapeste, Hungria, chegou ao Brasil em 1930 com sua família, fixando residência em São Paulo, onde seu pai foi o fundador da primeira Fotoptica, loja especializada em equipamentos fotográficos. Graduou-se em engenharia mecânica e elétrica pela Escola Politécnica da Universidade de São Paulo e trabalhou como fotógrafo, professor, produtor, diretor de cinema e empresário.

Na fotografia, desenvolveu um trabalho de expressão pessoal e documental. Atuou também como incentivador e organizador de exposições, concursos e premiações. Foi responsável pelo projeto e instalação de laboratórios fotográficos em várias instituições, entre as quais o Museu de Arte de São Paulo Assis Chateuabriand (1950), o Instituto de Eletrotécnica (1954), Instituto de Polícia Técnica (1957) e a escola de Comunicações e Artes (1970), os três últimos pertencentes à Universidade de São Paulo. Foi diretor de filmes documentários, bem como produtor e fotógrafo de cinema. A partir de 1968 produziu ou co-produziu trinta e três documentários de curta e média-metragem e oito longas-metragens.

Em 1969, passa a lecionar fotografia nos Departamentos de Cinema e Jornalismo da Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo – ECA/USP, onde desenvolve tese de doutorado sobre os métodos de realização de seus documentários. Lança a revista Fotoptica em 1970, com ensaios de fotógrafos brasileiros e internacionais, e inaugura, em 1979, a Galeria Fotoptica, pioneira na divulgação e comercialização de fotografia no país. A partir de 1990, integra o Conselho Deliberativo da Coleção Pirelli Masp de Fotografia. Assume a direção da Cinemateca Brasileira de São Paulo, em 1993. Em 1997, lança o livro Thomaz Farkas, Fotógrafo e realiza exposição homônima no Masp com trabalhos produzidos nos anos 1940 e 1950. Em 2005, a Pinacoteca do Estado de São Paulo – Pesp inaugura a exposição Brasil e Brasileiros no Olhar de Thomaz Farkas, que apresenta, pela primeira vez, imagens coloridas feitas nas décadas de 1960 e 1970. No ano seguinte, parte dessas fotos é reunida no livro Thomaz Farkas, Notas de Viagem. Atualmente integrava o Conselho da Fundação Bienal.

Abaixo uma pequena amostra do trabalho desse grande artista:


“O momento mais lindo da fotografia é quando o amador que fez filmes das férias ou do aniversário do filho vai a uma loja, pega o envelope das fotos e abre. Esse momento é mágico. É a sua obra de arte.” Thomas Farkas

É no Instituto Moreira Salles, em São Paulo, que se encontra grande parte da obra do artista – cerca de 34 mil imagens.

Desde o dia 27 de janeiro a institução promove a exposição “Uma antologia pessoal”, uma retrospectiva da obra de Farkas, com cerca de cem imagens clicadas entre as décadas de 40 e 70. A abertura da mostra foi acompanhada pelo lançamento de um livro, com 150 fotografias, organizadas pelo próprio fotógrafo com a ajuda dos filhos, João e Kiko Farkas.

“Ele será lembrado como o grande nome da fotografia moderna brasileira e também deixará um legado importantíssimo para o cinema nacional”, diz Sergio Burgi, um dos curadores da exposição. “Farkas participou ativamente desta mostra, revisou e escolheu cada fotograma e ainda selecionou imagens inéditas”.


Anúncios

março 6, 2011

Brassaï

Filed under: Fotografia, Poesias-Pensamentos-Frases-Reflexões — Tags: — Lucia Adverse @ 12:37 pm

“A noite sugere, não ensina. A noite nos encontra e nos surpreende por sua estranheza; ela libera em nós as forças que, durante o dia, são dominadas pela razão.“
(Brassaï)

março 5, 2011

Brassaï conversas com Picasso

Da Editora Cosac & Naify, o Livro “Brassaï CONVERSAS COM Picasso” é uma leitura que recomendo enfaticamente. Trata-se de um relato sobre o período em que o fotógrafo Brassai tornou-se amigo de Pablo Picasso e registrou sua obra para um livro de arte. Picasso admirava a maneira como Brassaï conseguia registrar suas esculturas e dizia que ele fazia isso como ninguém. Uma certa vez , no auge da Segunda Guerra Mundial,  o artista espanhol impôs o fotógrafo ao editor que faria um livro com o registro de suas esculturas.

Picasso ficava horas diante de Brassaï, observando o fotógrafo trabalhar e se divertia com sua técnica. Apelidava Brassaï de “terrorista” todas as vezes que se assustava com as explosões provocadas por pó de magnésio que era utilizada como método de iluminação para fotografar suas esculturas.

Abaixo reproduzo o divertido e interessante diálogo entre essas duas grandes personalidades durante uma sessão de fotos:

PICASSO: Não compreendo… Como sabe qual será o resultado? Não tem nenhum meio para julgar o efeito de sua iluminação… (diz isso diante aos disparos explosivos com pó de magnésio)

BRASSAï: Calculo-a… Por que não emprego projetores? É que múltiplas fontes de luz produzem sombras entrecortadas, confusas. Prefiro a luz de uma única fonte e suavizo as sombras de seus reflexos com anteparos.

PICASSO: Mas por que as esculturas são tão raramente bem fotografadas? (se referindo ao trabalho de outros fotógrafos)

BRASSAï: Não sei que estúpida tradição exige que uma estátua clara seja colocada contra um fundo escuro e uma estátua escura contra um fundo branco… Isso as destrói. Elas são como que achatadas e não podem mais respirar no espaço… Para que uma escultura ganhe toda a sua presença, suas partes iluminadas devem permanecer mais claras que o fundo, e suas partes escuras, mais escuras… É simples…

PICASSO: É a mesma coisa para o desenho: sobre um fundo cinza ou bege, coloca-se branco para a luz e preto para as sombras… Se essa plasticidade não interessa mais à pintura, ela se impõe à fotografia quando esta quer dar o máximo de relevo a uma escultura…

Enfim, diálogos como esse acima,  dão uma aula de fotografia e arte. Recomendo à todos!

Crie um website ou blog gratuito no WordPress.com.