Luciaadverse's Blog

março 22, 2014

Projeto NOIR

 
Devido ao grande interesse dos visitantes, na exposição ‘Der Sturm” no Museu Inimá de Paula, senti a necessidade de compartilhar com o público, o meu projeto inspirado no cinema Noir.
 
Projeto Noir
 
“A arte sempre oscilou entre a reflexividade e a ilusão.”
 
Robert Stam

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Der Sturm, Berlim

Talvez pela influência da minha formação, tenho um grande interesse pela fotografia arquitetônica.
 
A forma, o estilo e características da construção de uma cidade estão intrinsecamente relacionadas com a sua história. Se observarmos com atenção a arquitetura de uma cidade, ela diz muito a respeito da cultura e do modo de vida de seus habitantes.
 
Em 2008, registrei as primeiras fotos de arquitetura de Nova York pertencentes a esse trabalho, concluído somente em 2013, sendo que a opção de tratamento dessas fotografias foi toda em preto e branco.
 
Posteriormente, observei que o contraste das sombras com o tratamento em preto e branco, lembravam um pouco a dramaticidade das luzes do Cinema Noir, estilo de filme que sempre impressionou-me, seja pela luz contrastada utilizada nas filmagens, seja a teatralidade da temática.
 
 

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Nosferatu, 1922 – Friedrich Wilhelm Murnau

Iniciei imediatamente uma pesquisa, além dos filmes, fazendo parte dos meus estudos, o movimento que foi precursor do estilo Noir, o expressionismo alemão e também as suas influências na pintura e na xilogravura.
 
 

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GOD’S MAN, A novel in Woordcuts, Lynd Ward

Retornei diversas vezes a Nova York. À essa altura, meu trabalho já estava mais direcionado e voltado para o tema. A captação de cada detalhe na arquitetura foi pensada de acordo com o tema Noir. Não seria minha intenção repetir integralmente o que foi demonstrado no cinema, apenas o essencial para a construção do meu novo trabalho. De acordo com James Monaco em American Film Now, “o filme noir não é um gênero em si, mas um estilo visual” e foi exatamente essa característica que serviu de base para o meu projeto.
 
 

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Cidadão Kane, 1941 – Orson Welles

“O cinema noir é marcado por uma estética de artifícios, a começar pela sua fotografia em preto e branco que foge ao naturalismo do mundo real que é policromático; aos cenários barrocos (essencialmente em Welles) ou teatrais; à iluminação dura, contrastada, sem meios tons; aos planos que oscilam entre clouse-up a profundidade de campo sem mediações, enfim, tudo nos remete à noção de estar num universo não-natural, de imagens dissimuladas, de cenários construídos. Nesse sentido o noir traz dentro de si, as marcas da representação e a fotografia será sua referência básica nesse cinema tão voltado para a estética do simulacro, da fragmentação e da repetição.
Os procedimentos expressionistas tais como sombras, olhares, gestos reforçam a predominância de uma estética de closes e fragmentos de objetos.
O cinema noir se revela como um cinema de “frestas”. É pelo viés que se espia e se descobre o que está oculto.
Esse reino do fake encontra-se sempre envolto numa constante cortina de fumaça, de neblina ou de chuva, onde a transparência é pouco percebida e as ações acontecem essencialmente sob o império da noite.
De forma similar, o cinema noir utiliza de iluminação artificial com grande eficácia: claro-escuro, preto e branco, visando obter alto contraste, eliminando os meios tons. Para compor um jogo de luz e sombras, numa atmosfera oscilante entre o visível e o invisível, reflexo de uma realidade ambígua, o noir, traz o espelho como elemento metaforizante na narrativa.”

(Cinema noir: espelho e fotografia. Márcia Ortegosa, 2010)

O Gabinete do Dr, Caligari

O Gabinete do Dr. Caligari, 1920 – Robert Wiene

O trabalho completo foi fotografado em 3 cidades: Nova York, Berlim e Paris, com planos de ainda integrar ao projeto uma cidade brasileira.
A cidade de Nova York foi o ponto de partida e recebeu o título de Metropolis”, palavra homônima ao filme do austríaco Fritz Lang (1927), que propunha uma realidade caótica urbana para o ano 2026. Uma cidade estratificada em que se pode reconhecer diferentes níveis sociais, cada um representado por uma determinada arquitetura. O edifício do cartaz do filme foi inspirado em NY, na década de 1920 e reflete o estilo Art Deco de arranha-céus da cidade.
 
 

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Berlim foi o local onde iniciou-se o movimento expressionista, que tanto influenciou a estética do Cinema Noir.
Por esse motivo, planejei estender o projeto para a capital alemã. O nome da série, “Der Sturm”, em português, A Tempestade, vem da revista alemã vinculada ao Expressionismo Alemão e publicada em Berlim, criada em 1910 por Herwarth Walden, considerada a mais influente desse movimento artístico.
 
 

Der Sturm magazine (Composition) (ohne Titel (Komposition)) from the periodical Der Sturm, vol. 13, no. 1 (Jan 1923)

 
O cinema Noir, recebeu outras influências importantes do realismo poético francês (surgido no cinema francês à partir da metade da década de 1930), com seus temas de fatalismo, injustiça e heróis arruinados, e do neo-realismo italiano, com ênfase na autenticidade. O termo “film noir” foi inventado pelos franceses, críticos sempre astutos e fãs da cultura americana. Durante a ocupação nazista, a França havia sido privada dos filmes americanos durante quase 5 anos; e quando finalmente começaram a vê-los em finais de 1945, notaram não somente um escurecimento do ambiente, como também o próprio tema. Os críticos Nino Frank e Jean-Pierre Chartier escreveram em 1946 sobre estes filmes.
Em 1955, muito antes de film noir aparecer em qualquer livro de língua inglesa, Raymond Borde e Etienne Chaumeton escreveram sobre o tema. Os americanos não acompanharam os franceses na sua percepção e apreciação pelo Noir, até uma nova geração de entusiastas cinéfilos entrarem nas escolas de cinema no final de 1960.
É com essa justificativa, baseada no próprio nome dado a esse estilo marcante no cinema, que executei uma série de fotos também na cidade de Paris chamada: “Paris Noir”.
A intenção desse projeto, é reunir todo esse trabalho em um livro, com planejamento para 2016. Todo o projeto, mantinha-se inédito até o momento, quando surgiu a oportunidade de mostrá-lo parcialmente no Museu Inimá de Paula, em Belo Horizonte. Para a capital mineira foi escolhida a série Der Sturm”, com o apoio do projeto “Alemanha + Brasil 2013-2014” e curadoria do marchand Ricardo Fernandes.

 

Bibliografia:

Stam, Robert – O Espetáculo Interrompido: literatura e cinema de desmistificação. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1981

ARTE MODERNA / Giulio Carlo Argan – São Paulo: Companhia das Letras, 1992, capítulo três: O SÉCULO XIX NA ITÁLIA, ALEMANHA E INGLATERRA

espaços da arte brasileira, Goeldi / Rodrigo Naves –  São Paulo: Cosac & Naify Edições, 2002

FILM NOIR /Alain Silver & James Ursini/Paul Duncan (Ed.) – Lisboa: TASCHEN, 2004

ASSIM FALAVA ZARATRUSTA/ Friedrich Nietzsche – Petrópolis: Editora Vozes – 4ª edição, 2007

Wordless Books, The Original Graphic Novels / David A.Beronä • Introduction by Peter Kuper, New York: Abrams, 2008

Cinema noir: espelho e fotografia./Márcia Ortegosa – São Paulo: Annablume, 2010

GERMAN EXPRESSIONISM THE GRAPHIC IMPULSE / organized by Starr Figura, The Phyllis Ann and WalterBorten Associete Curator – New York: MOMA, 2011

Brassaï Paris / Jean-Claude Gautrand • 1899 – 1984• TASCHEN 25th anniversary

PASSIONATE JOURNEY : A Vision in Woodcuts / Frans Masereel – republication in 2007, New York: Dover Publications, Inc. / originally published: Geneva, in 1919.

GODS’ MAN : A Novel in Woodcuts / Lynd Ward – New York: Dover Publications, Inc. 1929

THE CITY : A Vision in Woodcuts / Frans Masereel, republication in 2006, New York: Dover Publications, Inc. / originally published: Munich, in 1925.

DESTINY: A Novel in Pictures / Otto Nückel, republication in 2007,  New York: Dover Publications, Inc. / originally published: Munich, in 1930.

FILM NOIR THE ENCYCLOPEDIA

Alain Silver • Elizabeth Ward • James Ursini • Robert Porfirio

New York • London

OVERLOOK DUCKWORTH, 2010

 

Acima, fica algumas sugestões de pesquisa sobre o assunto.

 

 

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abril 7, 2013

Museu mais antigo do mundo sobre fotografia pode ser visitado pela web

O George Eastman House, mais antigo museu sobre fotografia do mundo, anunciou nesta semana que passou a disponibilizar 50 imagens de suas coleções em alta resolução na web como parte do Google Art Project, que já havia feito parcerias semelhantes com outros grandes museus. Visite a página.

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Raro retrato de Louis Daguerre, francês inventor da Fotografia. O retrato foi feito pelo daguerreotipista Jean Baptiste Sabatier-Blot em 1844 (Foto: George Eastman House/Google Art Project)

É o primeiro museu de fotografia a participar do projeto, que possui uma ferramenta de zoom que “permite aos usuários a habilidade para descobrir detalhes nunca antes vistos”, segundo informações do museu. Além disso, todas as informações disponíveis sobre cada imagem foram disponibilizadas, possibilitando pesquisas pela web que antes não podiam ser feitas. E a ferramenta de mapa permite localizar onde a imagem foi feita.

Entre as raridades, é possível ver um retrato de Louis Daguerre, um dos descobridores da Fotografia. Também estão disponíveis peças de outros pioneiros e lendários fotógrafos, como Fox Talbot, Mathew Brady, Eadweard Muybridge, William Henry Jackson, Eugene Atget e Alfred Stieglitz.

O museu George Eastman House fica em Rochester, no estado de Nova York, a mais de 500 km de Manhattan. Especializado em fotografia, ele foi aberto em 1949 e funciona como instituição independente sem fins lucrativos.

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Esta é a primeira fotografia já feita registrando um acidente de trem. O acidente ocorreu na ferrovia Providence Worcester perto de Pawtucket, no estado americano de Rhode Island (Foto: George Eastman House/Google Art Project)

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Xie Kitchin como ‘um chinês’, imagem feita em 1873 pelo escritor Lewis Carroll, famoso por ‘Alice no País das Maravilhas’. O escritor também tinha interesse pela fotografia (Foto: George Eastman House/Google Art Project)
Fonte: G1 Mundo

agosto 9, 2012

Mike Stimpson e seus Legos

Na semana passada, durante um ciclo de palestras que participei na sede da Funarte MG, o professor da Unicamp Fernando Cury de Tacca, mencionou sobre o trabalho do fotógrafo Mike Stimpson. Eu já havia visto alguma coisa na internet e hoje resolvi colocar aqui para vocês.

O fotógrafo tem uma predileção em fotografar Legos, seu trabalho já teve uma repercussão em todo mundo, reproduzindo fotos famosas da história da fotografia. De uma forma criativa e rica em detalhes,  Mike Stimpson provoca o olhar do observador com imagens que marcaram o mundo. Confira abaixo:

Cartier Bresson– Behind Saint-Lazare station, Paris, France, 1932

The Twickenham Streaker, by Ian Bradshaw.

Em 20 de abril de 1974, o australiano Michael O’Brien sendo levado pela polícia,

depois de uma partida de Rugby entre Inglaterra e França, em Twickenham.

V-J Day in Times Square, Alfred Eisenstaedt, 1945.

A fotografia de um marinheiro norte-americando, beijando uma enfermeira na avenida

Times Square, após a vitória dos Estados Unidos sobre o Japão na Segunda Guerra Mundial.

Atomic Dali,  Phillipe Halsman, 1948

O fotógrafo Philippe Haslman,  precisou de 26 clicks e cinco horas para efetuar esta fotografia,

que teve seu amigo e pintor Salvador Dalí como modelo inspirador.

Enquanto Dalí saltava, quatro assistentes jogavam simultaneamente os gatos e o balde de água.

A mulher do pintor se encarregou do vôo da cadeira.

The Falling Soldier, Robert Capa, 1936

Soldado sendo abatido durante a Guerra Civil espanhola.

Raising the Flag on Iwo Jima, Joe Rosenthal, 1945

Esta foto mostra cinco fuzileiros navais americanos e um paramédico da Marinha dos Estados Unidos,

fincando a bandeira dos Estados Unidos da América no topo do Monte Suribachi,

indicando a sua conquista durante a batalha de Iwo Jima na Segunda Guerra Mundial.

“Lunch Atop a Skyscraper”, Charles Clyde Ebbets, 1932

A fotografia retrata onze operários almoçando, sentados em uma viga com os pés pendurados

a centenas de metros acima das ruas de Nova York, durante a construção do Rockefeller Center.

Bed-Ins for Peace

John Lennon e Yoko Ono casaram-se em 20 de março de 1969.

Aproveitando o grande interesse da imprensa, eles decidiram usar a publicidade para promover a paz mundial.

Eles passaram a lua de mel no quarto 702 do Hotel Hilton de Amsterdã por uma semana entre dia 25 e 31 de março,

convidando a imprensa mundial para entrar no quarto de hotel entre as 9 horas da manhã e 9 horas da noite.

Conheça mais em:

www.mikestimpson.com

outubro 25, 2011

Uma introspecção do meu olhar

Nunca escondi a minha preferência em fotografar arquitetura, acredito que minha formação em design de interiores influenciou e direcionou-me para essa área da fotografia.

É difícil citar nomes de fotógrafos como referência, pois a história da fotografia é recheada deles. Existe uma lista imensa de artistas que foram imprescindíveis, revolucionários, precursores de idéias e estilos. Pesquisar a trajetória de cada um deles é indispensável, prazeroso e muito instrutivo. Sou desprovida de preconceito quando o assunto é arte. Ao invés de preocuparmos com críticas, deveríamos tentar entender a subjetividade de cada artista e aprender com eles. É tão interessante ver o estilo e a linha de pensamento de cada um… Além do mais, a arte não é exclusiva de um ou de outro estilo, é democrática. Consumir livros de arte e filosofia virou uma mania. Na minha opinião é difícil construir um projeto de fotografia autoral consistente sem se nutrir dessas fontes de conhecimento.

Na fotografia, pesquiso também aqueles fotógrafos que não tem nada a ver com a área que escolhi e por que teria que ser diferente? Se você também gosta de arte, estude tudo que for relacionado com ela. Todos os movimentos artísticos ocorridos na história, tiveram uma relação com a época vivida e influenciaram não somente a pintura, mas também a fotografia, a escultura, o design, a moda, a arquitetura, enfim todas as produções artísticas.

Tenho uma grande identificação com o trabalho de alguns fotógrafos. O fotógrafo e arquiteto Cristiano Mascaro tem um magnífico trabalho focado em arquitetura. Nesse ano tive o prazer de conhecê-lo pessoalmente e o privilégio de ser sua monitora durante o workshop “Encontro com o Autor: A Cidade, com Cristiano Mascaro” durante o Festival Foto em Pauta Tiradentes.

É um dos fotógrafos mais importantes da urbe e da arquitetura da capital paulista, que documenta sistematicamente há mais de duas décadas. Atuou como repórter fotográfico na revista Veja, entre 1968 e 1972. Recebeu vários prêmios nacionais e internacionais.

Mestre e doutor em estruturas ambientais urbanas, ambos pela Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo, onde dirigiu o Laboratório de Recursos Audiovisuais entre 1974 e 1988. Foi professor de fotojornalismo da Enfoco Escola de Fotografia (1972-1975) e de comunicação visual na Faculdade de Arquitetura e Urbanismo de Santos (1976-1986).

Outro fotógrafo de grande influência para mim é o francês Marcel Gautherot, que viveu e trabalhou no Brasil durante 57 anos. A pedido do arquiteto Oscar Niemeyer, documentou a construção de Brasília. Esse belíssimo trabalho está reunido no livro “Marcel Gautherot Brasília” (tenho e recomendo!), lançado em 2010 pelo Instituto Moreira Salles.

Também percorreu 18 estados brasileiros fotografando, registrando o povo brasileiro, sua arquitetura, suas festas. Sua coleção é um vasto retrato da diversidade cultural do país. Desde 1999, seu acervo composto de mais de 25 mil negativos foi adquirido pelo Instituto Moreira Salles.

No ano passado, esse trabalho documental de Brasília, motivou-me o desejo de documentar a transformação do Estádio Governador Magalhães Pinto (conhecido como Mineirão) para a Copa do Mundo de 2014. Para a minha frustração, a burocracia impediu-me de fazer esse projeto. Encontrei-me com autoridades do Governo e da ADEMG para apresentar meu projeto, colocaram-me empecilhos por se tratar de uma construção pública. Não compreendi os obstáculos, pois na minha opinião, deveria ser o contrário, exatamente por se tratar de um orgão público, deveria ser garantido a uma cidadã e artista mineira, o direito de registrar essa importante obra para a história de Minas Gerais.

Também gostaria de destacar o trabalho da fotógrafa americana Berenice Abbott. Nascida em Springfield, estado de Ohio em 1898, mudou-se em 1921 para Paris, foi assistente do grande fotógrafo Man Ray que lhe ensinou tudo sobre fotografia. Ainda em Paris também conheceu uma de suas maiores influências fotográficas, o fotógrafo francês Eugene Atget que por vinte anos produziu oito mil fotos que registraram a cultura, arquitetura e monumentos da capital Francesa. Inspirada pelo trabalho realizado por Atget, voltou os Estados Unidos da América e fez algo semelhante ao que ele fez em Paris, só que em Nova Iorque. Daí nascia o seu trabalho mais conhecido; o Changing New York, onde ela mostra a cidade velha dando lugar a modernidade dos arranha-céus, vias expressas e pontes de metal que modificavam gradativamente a paisagem urbana.

Berenice também foi uma grande retratista, mas como meu enfoque aqui hoje é falar sobre fotografia de arquitetura quis destacar o seu famoso e importante trabalho documental sobre a cidade de Nova York.

Como disse no início do post, é praticamente impossível relacionar todos os artistas que me servem de inspiração e que auxiliam na minha formação, pois a pesquisa é constante. Por isso, limitei-me citando apenas os fotógrafos de maior influência para mim. Mesmo achando que já prolonguei esse post, não posso deixar de mencionar mais dois fotógrafos que são de grande importância para mim. O primeiro é Thomaz Farkas que no início desse ano dediquei um post à ele aqui.

Quem conhece o meu trabalho, sabe que uma das minhas características mais fortes é o uso do contraste entre as altas e baixas luzes. Também faço muito uso da geometria em minhas imagens e escutando a análise de alguns críticos de arte, percebo que meu trabalho é um pouco surrealista. Talvez essas características que se tornaram o meu perfil, fazem eu me identificar tanto com o trabalho de Farkas.

Por último, deixei aquele que para mim foi um dos maiores mestres (se não o maior) da história da fotografia, André Kertèsz. Fotógrafo também  de origem húngara, iniciou-se na fotografia em 1913 como autodidata.

Serviu brevemente na Primeira Guerra Mundial e se mudou para Paris em 1925, então capital artística do mundo, contra os desejos de sua família. Conviveu com os intelectuais e artistas de Montparnasse, se estabeleceu como fotógrafo, fazendo trabalhos para algumas revistas francesas e alemãs em ascensão nesta época. Ainda em Paris começou a trabalhar no seu projeto Distorções.


Em 1936 mudou-se para Nova Iorque e começou a colaborar com as revistas Vogue e Haper´s Bazaar. Naturalizou-se norte-americano em 1944.

Em 1946, Kertèsz teve o seu trabalho exposto no prestigiado “The art Institute of Chicago”, numa exposição individual. Em 1964, seu trabalho foi reconhecido pelo “Museum of Modern Art” em Nova Iorque, onde foi exposta uma retrospectiva da sua carreira. Esta exposição organizada por John Szarkowski, curador do MoMA, ajudou a restabelecer o seu reconhecimento internacional. John Szarkowski disse uma vez que “mais do que qualquer outro fotógrafo, André Kertész demonstrou a beleza e a estética da câmera pequena.”

A partir de 1963, dedicou-se somente à produção de ensaios pessoais e à exibição e publicação de sua obra. É reconhecido como um dos maiores fotógrafos do mundo.  Seu estilo único influenciou uma geração de fotógrafos na Europa, entre eles Henri Cartier-Bresson, Robert Capa e Brassai.

Seus temas são muito variados, embora ressalte neles a curiosidade visual na hora de encontrar novas perspectivas das coisas mais comuns.

A foto abaixo por muito tempo intrigou-me, seria um reflexo ou um registro através de uma vidraça quebrada? Um certo dia, conversando com um amigo estudioso em fotografia, ele revelou-me a verdadeira história dessa misteriosa fotografia. Por algum motivo, a chapa de vidro que continha essa imagem durante o seu armazenamento ou manuseio quebrou-se. Kertèsz  então resolveu revelar a chapa quebrada e o resultado foi essa foto magnífica.

Saber a verdadeira história dessa fotografia deixou-me ainda mais apaixonada por ela, por isso compartilho com vocês e termino por aqui.

agosto 7, 2010

Sugestões de Livros

Olá pessoal!

Estive ausente do blog por uns dias… Tenho um filho que está fazendo intercâmbio no Canadá e reservei alguns dias para visitá-lo. Sempre quando viajo reservo um tempinho para visitar as principais livrarias. Sou uma consumista confessa por livros. É uma das minhas grandes paixões. Desembarquei há dois dias no Brasil e hoje venho aqui no meu blog dar algumas sugestões para os meus leitores que gostam de livros de fotografia. Na cidade de Vancouver, conheci a Chapters, grande livraria, com boa estrutura, mas não vi grandes novidades na sessão de fotografia em comparação nossas grandes livrarias. Em Calgary, entrei numa livraria da qual não me lembro o nome e infelizmente para minha surpresa não havia sessão específica de livros de fotografia. Quem acompanha meu trabalho, sabe que gosto muito de fotografar gastronomia e a minha referência sempre foi livros importados de grandes chefs, tenho vários na minha biblioteca pessoal. Pois, nesssa livraria em Calgary, encontrei uma coleção maravilhosa da Carla Bardi. A coleção é formada por três livros de receitas com cerca de 500 páginas cada e folhas com acabamento externo em dourado, esses são os títulos: The Golden Book of Chocolate, The Golden Book of Cookies e The Golden Book of Baking. Um capricho!

Abaixo imagens que retirei do site da Amazon:

No final da viagem dei uma rápida passada em Nova York. Foi a primeira vez dos meus filhos na capital americana e os três dias passaram muito rápido, mas deu tempo de irmos à uma livraria. Minha amiga Ester, recentemente em um relatório de viagem no site da Fototech, recomendou a Strandbooks e fiquei curiosíssima para conhecer, mas infelizmente durante nossa ida à Broadway não deu tempo. No último dia fomos na Barnes e pesquisando as sessões de artes e fotografia encontrei muita coisa interessante. Deixarei como sugestão aqui alguns títulos que ainda me lembro:

50 Photographers You Should Know

Author: Peter Stepan

Comentário: Um livro bem interessante com fotos e texto sobre 50 fotografias de grande importância para a história da fotografia.

Berenice Abbott

Autor: Hank O’Neal

Comentário: Uma edição de 2008 com dois livros ilustrados com imagens dessa grande fotógrafa que foi Berenice Abbot. A capa aparentemente parece ser de linho e a qualidade do papel é artística. Além de portraits, cenas cotidianas americanas e fotos de placas, o livro apresenta 149 fotos do trabalho documental que Berenice Abbot fez da cidade de Nova York entre 1930 e 1956, com o objetivo de registrar a mudança dos edifícios da grande metrópole. Permito-me dizer que considero uma edição de colecionador. Magnífico!

Ansel Adams in Color

Comentário: Para ser bem sincera, ainda não conhecia esse livro do Ansel Adams. Tenho o “Ansel Adams: 400 Photographs” e essa edição que conheci na Barnes&Noble e mostro para vocês parece uma versão colorida dele.

Vanity Fair: The Portraits: A Century of Iconic Images

Comentário: Esse livro eu já conhecia, o fotógrafo mineiro David Aguilar, um profissional que respeito muito pelo seu grande conhecimento em fotografia e arte, havia me mostrado certa vez em seu estúdio. Também estava na sessão de fotografia da Barnes&Noble e como é um livro bem interessante achei importante citá-lo aqui. Ilustrado com 300 fotografias de grandes fotógrafos que apareceram nas páginas da Vanity Fair durante todo o século 20.

Hotel Lachapelle

David LaChapelle

Comentário: É uma coletânea dos trabalhos mais conhecidos do fotógrafo David LaChapelle. Ele ficou famoso por transformar suas intervenções digitais em arte. O livro tem uma qualidade de impressão muito boa e vem dentro de uma caixa.

Na sessão de arte, também havia uma seleção fantástica de livros, pena que o tempo foi curto e não deu para explorá-la. Queria deixar como sugestão aqui, um livro que já vi na livraria Mineiriana em Belo Horizonte e que também estava lá na estante da Barnes&Noble.

Gustave Courbet

Comentário: Este livro é um estudo envolvendo biografia, crítica, história da arte e um catálogo de obras construído sobre a exposição do pintor Gustave Courbet (1819-1877) em Nova York no Metropolitan Museum of Art.

O lado ruim dessa história é que dá vontade de comprar todos!

dezembro 17, 2009

The River Café

Filed under: Gastronomia, Meus trabalhos, VIAGENS — Tags:, , , , , — Lucia Adverse @ 1:58 pm

Há pouco tempo fiz uma viagem para Nova York e conheci o restaurante The River Café. Foi uma noite inesquecível! Inaugurado por Michael O’Keeffe em 1977, o charmoso restaurante funciona no cais do Brooklyn, localizado sob a famosa ponte com o mesmo nome. A Ponte do Brooklyn com uma extensão de 1.834 metros, liga os distritos de Manhattan e Brooklyn. Foi a primeira ponte de aço suspensa do mundo e suas imensas torres de suporte já foram as estruturas mais altas de toda a cidade de Nova York.

Localizado em frente a vista de Nova York mais fotografada do mundo, conta com um com um serviço profissional diferenciado, pratos com os melhores ingredientes e com uma apresentação maravilhosa. Não resisti e acabei fazendo algumas fotos de entradas e sobremesa. Como estava sem meu tripé, ajustei a sensibilidade ISO da minha camêra digital para 6400 e abri o diafragma o máximo, ƒ/2.8. Como já sabemos, nas câmeras analógicas, quanto maior a granularidade, maior a sensibilidade da película fotográfica. No sistema digital não é diferente, quanto maior a amplitude do sinal, maior o ruído. Então… é válido dizer que quanto maior o ruído maior a sensibilidade. Nota-se uma certa granulação em todas essas imagens que foi aliviada pelo fato da minha câmera ter um sensor digital mais evoluído, modelos anteriores eram bem mais sofríveis. Também estava sem minha objetiva macro, específica em fotos de gastronomia, então arranjei-me com a objetiva Canon 24-70mm.

Wild Rock Lobster
tender roasted tails with red pepper reduction and celery root purée

Wagyu Steak Tartare
handcut Kobe style beef prepared tableside with quail egg yolk,
Cognac gelée, traditional garnish and toast points

Colorado Rack of Lamb

Os pratos eram tão bonitos que fiquei pensando como seria prazeroso fotografa-los com a luz e técnica ideal. Após o jantar, uma amiga que já conhecia o restaurante, conveceu-me pedir a sobremesa inspirada na ponte do Brooklyn. Fiquei curiosa e pedi. Realmente é surpreendente a apresentação da sobremesa.

Chocolate Marquise Brooklyn Bridge
handmade chocolate with a terrine of toasted hazelnut and Tahitian vanilla ice cream

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