Luciaadverse's Blog

maio 19, 2013

Universo Curvo – Cloitre des Billettes

No último dia 2 de maio, inaugurou no Cloitre des Billettes, Paris, França, a minha exposição individual intitulada Universo Curvo. O local, trata-se de um Mosteiro Luterano, datado sua construção em 1294. É o único edifício medieval no coração da cidade, localizado bem próximo ao Hotel de Ville.

Universo Curvo - Cloitre des Billettes- blog-1

Universo Curvo - Cloitre des Billettes- blog-2

A exposição ficou belíssima, muito bem organizada pela Galeria Ricardo Fernandes. Fiquei muito feliz com o resultado e com a crítica positiva.

O diretor responsável pela curadoria do Cloitre des Billettes, Thierry Renaudin-Viot, também diretor do Museu Victor Hugo (Place des Voges), elogiou como as obras tiveram uma sintonia perfeita com a arquitetura do mosteiro. “Além da textura das paredes e das obras comporem harmoniosamente, as curvas dos arcos góticos combinam com o conceito do trabalho da artista.” Completa Marc Soléranski, historiador e professor de história da arte em Paris.

Universo Curvo - Cloitre des Billettes- blog-6Para completar, a luz natural projeta sombras dos arcos por todos os corredores do edifício, onde estão expostas as obras, sendo alternados de acordo com o horário do dia. Presente divino!

Universo Curvo - Cloitre des Billettes- blog-3

Essa série de fotos criadas em 2011, propõe uma homenagem ao arquiteto brasileiro Oscar Niemeyer que ficou mundialmente conhecido pelos seus inesquecíveis projetos curvos. Através de imagens abstratas, faço uma releitura, não somente do universo da forma da arquitetura de Niemeyer, mas também faço referência ao espaço sideral e aos elementos da natureza, como as montanhas, o curso sinuoso dos rios e o litoral do meu país, os mesmos elementos tanto referenciado e mencionado pelo arquiteto durante sua trajetória artística.

Universo Curvo - Cloitre des Billettes- vernissage-4

Universo Curvo - Cloitre des Billettes- vernissage-6

As 20 fotografias que integram essa série, têm nomes escolhidos de acordo com os elementos citados que inspiraram o meu trabalho.

A sensualidade presente nas formas curvas e também destacada na célebre frase do arquiteto (citada abaixo), foram motivo da escolha de palavras femininas como títulos de cada imagem que compõe a série.

“Não é o ângulo reto que me atrai. Nem a linha reta, dura, inflexível, criada pelo homem. O que me atrai é a curva livre e sensual. A curva que encontro nas montanhas do meu País, no curso sinuoso dos seus rios, nas ondas do mar, nas nuvens do céu, no corpo da mulher preferida. De curvas é feito todo o Universo – o Universo curvo de Einstein.”

Oscar Niemeyer

dupla blog

A cor azul predominante em toda a série de fotos, remete a cor do céu, do mar, também muito utilizada por Niemeyer em seus projetos, como o painel criado pelo artista Cândido Portinari, na Igreja São Francisco de Assis, Pampulha ou o painel de azulejos do artista plástico Athos Bulcão, pertecente a Igreja Nossa Senhora de Fátima em Brasília. Ambas construções foram tombadas pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).

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No dia seguinte da abertura, consequentemente o primeiro dia da exposição, retornei ao mosteiro e fiquei durante algum tempo fotografando. Foi gratificante ter a oportunidade de observar a reação do público diante do meu trabalho. Esse retorno é imprescindível para o artista e registrei a interação das pessoas com as obras.

apaixonada

praia

sinuosa - noite estrelada

alegria e

Também foi divertido ver as pessoas se fotografarem junto com as obras.

Universo Curvo - Cloitre des Billettes- blog-11

Universo Curvo - Cloitre des Billettes- blog-19

Para terminar, gostaria de agradecer o marchand e crítico de arte Ricardo Fernandes que levou a série Universo Curvo ao conhecimento do curador Thierry Renaudin-Viot.

Também não poderia deixar de agradecer o apoio incondicional da minha família e de meus verdadeiros amigos ao meu lado nessa jornada.

Ao professor Marc Soléranski, o meu mais sincero reconhecimento e gratidão pelo brilhante texto escrito sobre a minha trajetória artística.

A exposição Universo Curvo, fica em cartaz até dia 31 de maio no Cloitre des Billettes.

24, rue des Archives

75003 Paris

Metro: Hôtel de Ville

Mapa

Avisem seus amigos que estiverem em Paris, ficarei muito honrada com a visita!

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janeiro 18, 2011

Foto em Pauta Tiradentes

Filed under: Dicas — Tags:, , , — Lucia Adverse @ 3:34 pm

Depois de uma pausa para um período de férias retorno aqui no blog para para informar um novo projeto,Foto em Pauta Tiradentes“.


Depois de sete anos em BH e com passagens por 14 estados brasileiros, o projeto realizará de 17 a 20 de fevereiro um Festival na charmosa cidade histórica mineira. O fotógrafo Eugênio Sávio, idealizador do projeto, há muitos anos luta para realizar o evento. Com muita coragem decidiu concretizar seu sonho com recursos próprios e apoio de amigos. Acreditamos que este encontro será um marco para a fotografia em Minas Gerais e você prezado leitor, não pode perder!

A programação será intensa, envolvendo palestras, seminários, Ciclo de Idéias, exposições, lançamentos de livros. Tudo isso gratuito e sem necessidade de inscrições.

E mais: leituras de portfolio e 10 workshops pagos (com desconto para inscrições feitas em janeiro).

Workshops / Encontros com o Autor:

Conheça a programação clicando no site oficial, participe e ajude-nos a divulgar.




dezembro 1, 2010

Série Polaroid – Nº9 – Edward Steichen

Não dá para falar de Alfred Stieglitz, straight photography, arte, fotografia e esquecer de mencionar Edward Steichen que foi outro grande fotógrafo totalmente envolvido e defensor da arte na fotografia. Em 1955, organizou a exposição The Family of Man, no Museu de Arte Moderna de Nova York (MOMA). Em um post mais antigo fiz indicações de três preciosos livros que possuo desse artista. Para ler o post completo clique aqui.

Edward Steichen

“I wanted to work with business, like an engineer.”

“The making of beautiful objects and things of ornament, and even of utility, have practically been banished from the realm of art to the more active and more lucrative scope of commerce.”

Vale lembrar que todas as polaróides são de minha autoria. Através de algumas imagens pré-selecionadas, tento fazer uma relação entre o que já produzi e o trabalho do artista. A relação pode ser com as frases descritas em cada post ou uma leve semelhança ou lembrança com alguma das obras ou tema desenvolvido pelo artista ao longo de sua vida.

novembro 30, 2010

Série Polaroid – Nº8 – Alfred Stieglitz

Nessa minha série de polaróides ainda não havia mencionado um fotógrafo. O nome de Alfred Stieglitz foi o primeiro que veio a minha cabeça. Não somente pela admiração que tenho pelo trabalho dele, mas pelo seu grande envolvimento com a arte. Além de fotógrafo talentoso foi também editor, curador, colecionador e galerista. Foi marchand e orientador de alguns fotógrafos da época e responsável pela organização de grandes exposições. Criador do movimento Photo-Secession, expoente da straight photography (fotografia direta, pura), editor da revista “Camera Work”, como defensor da “fotografia arte” e também proprietário da Galeria de arte 291.

Enquanto terminava de escrever esse post, olhei para o lado e fui presenteada com belas nuvens ao entardecer. Lembrei-me da série “Equivalentes” de Stieglitz e no mesmo momento decidi fazer as polaroids abaixo.

Alfred Stieglitz

“Todo o tipo de arte, assim como todo o tipo de amor, está enraizado no sofrimento.”

“Por que não tentar obter da mão humana, do olho humano, da chapa fotográfica e do papel fotográfico a mesma sensibilidade e expressão de que são capazes a mesma mão e o mesmo olho em uma tela? A fotografia não precisa ser apenas a reprodução do mundo real, ela pode e deve, pelo contrário, contribuir para a criação de um mundo novo.”

E por falar em fotografia e arte, amanhã aqui em Belo Horizonte acontece o Simpósio “A Fotografia e o Mercado das Artes”, organizado pela Fototech MG, imperdível! Mais informações, clique aqui ou no site da Fototech.

março 24, 2010

A Pintura e a Fotografia

As respigadeiras

Ontem no Facebook do Claudio Edinger essa pintura chamou-me a atenção.

Trata-se de uma obra do pintor Jean-François Millet (4 de Outubro, 1814 – 20 de Janeiro, 1875). Pintor romântico e um dos fundadores da Escola de Barbizon na França rural. É conhecido como percursor do realismo, pelas suas representações de trabalhadores rurais. Junto com Courbet, Millet foi um dos principais representantes do realismo europeu surgido em meados do século XIX. Sua obra foi uma resposta à estética romântica, de gostos um tanto orientais e exóticos, e deu forma à realidade circundante, sobretudo a das classes trabalhadoras. Suas obras sobre camponeses foram consideradas sentimentais para alguns, exageradamente piegas para outros, mas a verdade é que as obras de Millet em nenhum momento suscitaram indiferença. Na tepidez de seus ocres e marrons, no lirismo de sua luz, na magnificência e dignidade de suas figuras humanas, o pintor manifestava a integração do homem com a natureza. Alguns temas eram tratados talvez com um pouco mais de sentimentalismo do que outros. No entanto, é nos pequenos gestos que se pode descobrir a capacidade de observação deste grande pintor. Nessa pintura, “As respigadeiras” (1857), Millet retrata três camponesas que trabalham na colheita. Não há nenhum drama e nenhuma história contada, mas apenas três mulheres camponesas em um campo. As respigadeiras são mulheres humildes que recolhem o que sobrou após a colheita dos proprietários de terra. Os proprietários e os trabalhadores são vistos na parte de trás da pintura. Millet aqui mudou o foco, o assunto mais importante seria aqueles que eram considerados parte inferior da escada social. Millet também não pintou seus rostos para enfatizar sua posição de anonimato e marginalização. Seus corpos curvos representam o trabalho difícil de todos os dias.

As pinturas de Jean-François Millet fizeram-me lembrar de uma foto da Nair Benedicto que conheci na casa de uma amiga em São Paulo. Minha amiga, também fotógrafa, há alguns anos é colecionadora de fotografias de Fine Art. Adquiriu uma bela coleção da fotógrafa Nair Benedicto, impecavelmente impressa na França pela La Chambre Noire. São 18 fotos digitalizadas com qualidade museológica, embaladas numa caixa especial. Lembro-me que quando peguei na coleção, logicamente com luvas, fiquei impactada com a beleza das imagens e principalmente com essa das camponesas. Analisando hoje, imagino, quem sabe, talvez o pintor François Millet pode ter influenciado ou não o olhar da fotógrafa Nair Benedicto no momento do registro dessa belíssima imagem. Quando tive essa fotografia em mãos, tive a sensação daquela imagem se parecer com uma pintura, o próprio papel com qualidade museológica transmite tal sensação. Essas semelhanças comprovam de como é importante o aprofundamento do estudo nas artes plásticas pelo fotógrafo. Os mestres da pintura com todo o estudo de perspectiva, profundidade, conhecimento e aprimoramento das técnicas, inspiram-nos em construirmos uma composição mais harmoniosa. Buscamos uma proximidade da composição perfeita que faziam com maestria.

Fotógrafa paulista, Nair Benedicto, nasceu em 1940 e foi a primeira mulher a participar de manifestações na década de 70, como as greves do ABC.  Formou-se em Rádio e Televisão pela Universidade de São Paulo em 1972, mesmo ano em que começou a fotografar profissionalmente, produzindo audiovisuais para a Alfa Comunicações. Em 1979, fundou a Agência F4 de Fotojornalismo juntamente com Juca Martins, Delfim Martins e Ricardo Malta, iniciativa pioneira que impulsionou o nascimento de outras agências. Ligada e atenta a temas sociais permitiu uma nova visão do fotojornalismo e da população brasileira sendo comissionada pela Unicef, durante 1988 e 89, para realizar a documentação sobre a situação da mulher e da criança na América Latina. Em 1991 desligou-se da F4 para fundar a N Imagens.

Seus trabalhos foram publicados nas revistas: Veja, IstoÉ, Marie Claire, Claudia, Ícaro, Vaccance, Stern, Paris-Match, BBC-Ilustré, Zoom, NewsWeek, Time, GeoMagazinbe, SouthMagazine, Nuova Ecologia, Ecos, Science, Figaro Magazine.

Suas fotografias integram os acervos do MoMa, de Nova Iorque, do Smithsonian Institute, em Washington, do MAM/RJ e da Coleção Masp-Pirelli. Realizou exposições em São Paulo, Rio de Janeiro e em outros países como França, Espanha, Cuba, Itália, Estados Unidos, Suíça, Equador e México.

novembro 18, 2009

Curso de fotografia – Narrativas Visuais

Durante os meses de agosto e setembro os fotógrafos da National Geographic Luciano Candisani e Izan Petterle ministraram um curso do programa Narrativas Visuais. O programa fez parte de um curso de fotografia aberto gratuitamente à comunidade e as aulas foram na Praça Victor Civita, em São Paulo. Foram, ao todo, seis turmas, com 20 vagas cada. Quatro turmas foram reservadas para alunos do Ensino Médio de escolas públicas de São Paulo, uma turma reservada para interessados com mais de 55 anos e uma turma livre. Todos os equipamentos necessários foram fornecidos aos alunos e a proposta seria que  ao final do curso, os melhores trabalhos produzidos pelos participantes de todas as turmas fariam parte da exposição Narrativas Visuais, que vai acontecer no Museu da Sustentabilidade da Praça Victor Civita. Além disso, os dois melhores alunos matriculados no ensino médio de escolas públicas foram escolhidos pelos professores para ganhar um estágio como assistente de fotógrafo em uma reportagem da National Geographic Brasil e receberam como prêmio uma câmera digital. O projeto Narrativas Visuais foi viabilizado pela Lei de Incentivo à Cultura, do Ministério da Cultura, com apoio da National Geographic Brasil e do Projeto Aprendiz.

Abaixo algumas fotos de alunos:

Foto: Camila Fragazzi

Foto: Ana Carolina Campos

Foto: Fernanda Nunes

Foto: Robson Ortibas

Foto: Renan Bastos

Foto: Jessica Venancio

Mais detalhes e fotos sobre o projeto Narrativas Visuais veja no blog dos fotógrafos passando o mouse sobre o nome:

Izan Petterle

Luciano Candisani

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