Luciaadverse's Blog

março 5, 2011

Brassaï conversas com Picasso

Da Editora Cosac & Naify, o Livro “Brassaï CONVERSAS COM Picasso” é uma leitura que recomendo enfaticamente. Trata-se de um relato sobre o período em que o fotógrafo Brassai tornou-se amigo de Pablo Picasso e registrou sua obra para um livro de arte. Picasso admirava a maneira como Brassaï conseguia registrar suas esculturas e dizia que ele fazia isso como ninguém. Uma certa vez , no auge da Segunda Guerra Mundial,  o artista espanhol impôs o fotógrafo ao editor que faria um livro com o registro de suas esculturas.

Picasso ficava horas diante de Brassaï, observando o fotógrafo trabalhar e se divertia com sua técnica. Apelidava Brassaï de “terrorista” todas as vezes que se assustava com as explosões provocadas por pó de magnésio que era utilizada como método de iluminação para fotografar suas esculturas.

Abaixo reproduzo o divertido e interessante diálogo entre essas duas grandes personalidades durante uma sessão de fotos:

PICASSO: Não compreendo… Como sabe qual será o resultado? Não tem nenhum meio para julgar o efeito de sua iluminação… (diz isso diante aos disparos explosivos com pó de magnésio)

BRASSAï: Calculo-a… Por que não emprego projetores? É que múltiplas fontes de luz produzem sombras entrecortadas, confusas. Prefiro a luz de uma única fonte e suavizo as sombras de seus reflexos com anteparos.

PICASSO: Mas por que as esculturas são tão raramente bem fotografadas? (se referindo ao trabalho de outros fotógrafos)

BRASSAï: Não sei que estúpida tradição exige que uma estátua clara seja colocada contra um fundo escuro e uma estátua escura contra um fundo branco… Isso as destrói. Elas são como que achatadas e não podem mais respirar no espaço… Para que uma escultura ganhe toda a sua presença, suas partes iluminadas devem permanecer mais claras que o fundo, e suas partes escuras, mais escuras… É simples…

PICASSO: É a mesma coisa para o desenho: sobre um fundo cinza ou bege, coloca-se branco para a luz e preto para as sombras… Se essa plasticidade não interessa mais à pintura, ela se impõe à fotografia quando esta quer dar o máximo de relevo a uma escultura…

Enfim, diálogos como esse acima,  dão uma aula de fotografia e arte. Recomendo à todos!

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